Rússia x Ucrânia

Internacional EUA alertam China para risco de apoiar 'agressão russa'

EUA alertam China para risco de apoiar 'agressão russa'

Presidente Joe Biden conversará com o líder chinês Xi Jinping sobre as questões na Ucrânia nesta sexta-feira (18)

AFP
Soldados cobrem o caixão do prefeito Ivan Skrypnyk, assassinado após a invasão russa

Soldados cobrem o caixão do prefeito Ivan Skrypnyk, assassinado após a invasão russa

YURIY DYACHYSHYN / AFP - 17.3.22

Os Estados Unidos alertaram a China nesta quinta-feira (17) para qualquer tentativa de "apoiar a agressão russa" contra a Ucrânia, onde novos bombardeios deixaram mais de 20 mortos no leste.

O presidente dos EUA, Joe Biden, ameaçará nesta sexta (18) o líder chinês Xi Jinping com represálias se a China "apoiar a agressão russa" com ajuda militar, antecipou o secretário de Estado americano, Antony Blinken.

O secretário estimou que os ataques da Rússia contra civis constituem crimes de guerra e acusou Moscou de não fazer "esforços significativos" na frente diplomática para resolver o conflito.

Essas advertências são feitas após uma série de relatos de bombardeios a alvos civis que já deixaram centenas de mortos desde o início da invasão da Ucrânia, ordenada há três semanas pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Kiev, onde o cerco das tropas russas é cada vez mais intenso, saiu hoje de um toque de recolher de 35 horas.

Prestar contas

O Ministério de Defesa da Rússia negou ter atacado, na última quarta-feira (16), um teatro na cidade portuária de Mariupol, no sudeste da Ucrânia, sitiada há mais de duas semanas pelas forças de Moscou.

Segundo autoridades locais, havia mais de mil refugiados no teatro. A ONG Human Rights Watch, que destacou a falta de dados, citou a presença de pelo menos 500 pessoas. As informações chegam a conta-gotas e em ocasiões contraditórias. A Ucrânia e os países ocidentais acusam a Rússia, que atribui o ataque a milicianos de extrema direita ucranianos.

O teatro de Mariupol "foi fortemente bombardeado hoje, embora servisse como um abrigo bem conhecido e claramente identificado para civis, inclusive crianças", denunciou o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, que também citou relatos de ataques russos contra a cidade de Mikolaiv.

"Esses ataques deliberados a civis e infraestruturas civis são vergonhosos, reprováveis e totalmente inaceitáveis", criticou Borrell, acrescentando que "os autores dessas graves violações e crimes de guerra, bem como líderes governamentais e comandantes militares, terão que prestar contas".

Biden chamou Putin de "criminoso de guerra" na última quarta-feira e anunciou o envio de  grande ajuda militar à Ucrânia, onde civis foram atingidos em ataques a padarias, mercados e teatros.

"Acho que Putin é um criminoso de guerra", respondeu Biden a uma jornalista na Casa Branca. Sua secretária de imprensa, Jen Psaki, esclareceu em seguida que Biden "falava com o coração", depois de ver imagens de "ações bárbaras de um ditador brutal durante sua invasão de um país estrangeiro".

A resposta russa não demorou. "Consideramos inaceitável e imperdoável tal retórica do chefe de Estado cujas bombas mataram centenas de milhares de pessoas em todo o mundo", disse o porta-voz presidencial russo, Dmitri Peskov.

Cerca de 30 mil pessoas deixaram Mariupol na última semana e outras 350 mil "continuam se escondendo em abrigos e porões" daquela cidade, segundo a prefeitura. Mais de 1.200 pessoas morreram em ações violentas em Mariupol desde o início da guerra, de acordo com fontes ucranianas. 

As pessoas que conseguiram fugir da cidade descrevem uma situação humanitária crítica e relataram que tiveram de beber neve derretida e fazer fogo para cozinhar a pouca comida disponível.

"Piorava a cada dia. Não tínhamos energia elétrica, água ou comida. Não era possível comprar nada em lugar nenhum", disse à AFP uma mulher que se identificou apenas como Darya.

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