EUA executa detento com injeção letal; outras duas penas são aplicadas nesta semana
Aaron Gunches, de 53 anos, foi executado nesta quarta-feira (19) no Arizona por assassinato cometido em 2002. Flórida e Oklahoma têm execuções marcadas para esta quinta (20)
Internacional|Do R7
Um homem de 53 anos condenado por sequestro e assassinato foi executado com injeção letal nesta quarta-feira (19) no Arizona, nos Estados Unidos, marcando a segunda execução no país somente nesta semana.
Aaron Brian Gunches recebeu uma dose de pentobarbital no Complexo Prisional Estadual de Florence e foi declarado morto às 10h33, no horário local (14h33, em Brasília), de acordo com a agência de notícias AP.
Outras duas execuções estão programadas para esta quinta-feira (20), na Flórida e em Oklahoma, de acordo com o Centro de Informações sobre Pena de Morte do país.
Gunches foi condenado por matar a tiros Ted Price, ex-marido de sua então namorada, em 2002. O crime ocorreu no deserto próximo a Mesa, subúrbio de Phoenix. Ele se declarou culpado de homicídio qualificado em 2007.
Segundo a AP, a execução foi realizada com acessos intravenais nos braços do condenado, um procedimento diferente das duas execuções anteriores no estado, que usaram a artéria femoral.
A pena de Gunches estava inicialmente marcada para abril de 2023, mas foi adiada depois que a governadora democrata do Arizona, Katie Hobbs, ordenou uma revisão dos protocolos de execução do estado.
Após ajustes no Departamento Correcional, incluindo mudanças na equipe responsável pelas injeções letais, a Suprema Corte do Arizona definiu a data final. O estado, agora, torna-se o primeiro com um governador democrata a realizar uma execução desde 2017.
“A família de Ted Price esperou por justiça por mais de duas décadas. Eles merecem esse desfecho”, disse a procuradora-geral do Arizona, Kris Mayes, em entrevista coletiva após a execução, segundo a AP.
Karen Price, irmã da vítima, esteve presente no procedimento e descreveu o alívio de encerrar um processo de quase 23 anos. “Ted foi morto por fazer a coisa certa. Um crime sem sentido roubou do mundo um homem gentil”, disse ela, de acordo com a ABC News.
A filha de Price, Britney Kay Price, também testemunhou a execução e declarou, em nota lida por um defensor das vítimas, que sentiu “um enorme peso ser tirado” após décadas de sofrimento.
Gunches, que por vezes se representou sozinho no tribunal, chegou a pedir sua própria execução em 2022, mas retirou o pedido posteriormente. No fim de dezembro passado, voltou a solicitar rapidez à Suprema Corte estadual, afirmando que sua sentença estava “atrasada há muito tempo”.
Apesar de objeções de advogados externos, que alertaram sobre os riscos do pentobarbital -- como acúmulo de líquidos nos pulmões --, de acordo com a AP, o tribunal rejeitou os apelos e autorizou a pena.
Penas de morte
Na terça-feira (18), a Louisiana executou Jessie Hoffman Jr., de 46 anos, condenado por estuprar e matar Mary “Molly” Elliott, em 1996. A pena foi aplicada com gás nitrogênio, método criticado como tortura pela ONU (Organização das Nações Unidas).
Esta foi a primeira vez que o método foi aplicado no estado, que não realizava execuções há 15 anos, e a quinta na história do país. Hoffman foi declarado morto na Penitenciária Estadual da Louisiana.
Com Gunches, sobe para oito o número de execuções realizadas nos EUA somente neste ano, de acordo com o Centro de Informações sobre Pena de Morte. Outras 21 execuções estão agendadas para este ano em nove estados.
No dia 7 deste mês, além de Hoffman, Brad Sigmon, de 67 anos, foi executado por fuzilamento na Carolina do Sul, por matar os pais de sua ex-namorada, em 2002.