EUA revelam satélite secreto que fez espionagem durante a Guerra Fria
Programa permitiu ao país um novo ponto de vista para a coleta de informações de inteligência de sinais únicas e cruciais do espaço
Internacional|Do R7
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Os Estados Unidos tornaram públicos os dados de seu programa secreto de satélites espiões que foram usados durante a Guerra Fria para captar informações de ativos críticos da União Soviética, como comunicação entre militares e sinais de sistemas de armas estrangeiros.
O Escritório Nacional de Reconhecimento dos EUA (NRO, na sigla em inglês), agência de inteligência voltada para operar satélites espiões, desclassificou seu programa Jumpseat na quarta-feira (28). Embora ainda haja trechos censurados, a desclassificação fornece imagens inéditas de um sistema bastante avançado na época que serviu à inteligência dos EUA por 25 anos.
“A importância histórica do Jumpseat não pode ser subestimada. Sua órbita proporcionou aos EUA um novo ponto de vista para a coleta de informações de inteligência de sinais únicas e cruciais do espaço”, diz James Outzen, diretor do Centro de Estudos de Reconhecimento Nacional do NRO, em um comunicado na quarta-feira (28).
A inteligência de sinais envolve a detecção e a decifração de sinais eletromagnéticos — comunicações do adversário, por exemplo, ou emissões de mísseis ou outros sistemas de armas.
“A missão principal do Jumpseat era monitorar o desenvolvimento de sistemas de armas ofensivas e defensivas adversárias. De sua posição orbital mais distante, o objetivo era coletar dados que pudessem oferecer informações exclusivas sobre ameaças existentes e emergentes”, afirma o comunicado.
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Pelo programa, oito satélites foram lançados entre 1971 e 1987. O primeiro Jumpseat alcançou o espaço da Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia, atualmente conhecida como Base Espacial de Vandenberg.
“Uma vez em órbita, o Jumpseat coletou com sucesso emissões e sinais eletrônicos, informações de comunicação e de instrumentação estrangeira — informações inestimáveis que foram transmitidas para instalações de processamento em solo nos EUA”, aponta o comunicado.
Outros sete satélites alcançaram a órbita ao longo dos anos seguintes, concluindo com a Jumpseat 8 em fevereiro de 1987. O último satélite só foi retirado de serviço em 2006, após operar por um período em “modo transponder”.

O Jumpseat surgiu como uma continuação de satélites de vigilância eletrônica anteriores, como o Grab, o Poppy e o Parcae. Essas armas começaram a ser implantadas à medida que o aprofundamento da Guerra Fria anunciava a possibilidade de uma futura ameaça de armas espaciais, evidenciado pelo lançamento bem-sucedido do satélite Sputnik 1 pela União Soviética, que logo seria seguido pela primeira geração de mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) baseados na mesma tecnologia de foguetes.
“Após o fim da Segunda Guerra Mundial, as ameaças de disseminação global do comunismo e proliferação de armas nucleares alimentaram a ansiedade dos americanos em relação ao desconhecido. Em todo o mundo, os Estados Unidos suspeitavam que mais adversários americanos estivessem construindo extensos arsenais de defesa de ponta, incluindo mísseis de longo alcance e armas atômicas”, afirma a NRO.
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