Ex-ministra e ator estavam entre os passageiros de acidente fatal com trens na Espanha
Colisão entre as composições ocorreu devido a um erro no sistema de segurança
Internacional|Do Estadão Conteúdo
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Os dois trens de alta velocidade que colidiram nesta quarta-feira (28) na região de Castilla-La Mancha, no centro da Espanha, transportavam pelo menos 544 passageiros, segundo a porta-voz do governo de Castilla-La Mancha, Esther Padilla. O acidente deixou ao menos 68 mortos.
Entre os passageiros, está a ex-ministra do Trabalho e da Segurança Social da Espanha, Fátima Báñez, que ocupou o cargo entre 2011 e 2018. Atualmente, ela é presidente da CEOE (Fundação da Confederação Espanhola de Organizações Patronais).
Em uma publicação no X, a entidade confirmou que Fátima viajava em um dos trens. “Estamos consternados com o acidente ferroviário e expressamos nossas condolências às famílias e todo o nosso apoio aos afetados”, escreveu.
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Até a última atualização, Fátima estava na lista de desaparecidos. A CEOE negou boatos de que a morte dela havia sido confirmada.
O ator Manuel Bandera estava no trem da Renfe e retornava de Madri para Sevilha. Ele participou de filmes e novelas populares na Espanha, incluindo “Ata-me!” e “Kika”, do cineasta espanhol Pedro Almodóvar.
Bandeira seguia para a gravação de um programa na emissora Canal Sur. Em uma ligação com o canal, ele disse que estava bem. “Sinto que nasci de novo”, afirmou o ator.
“Por sorte, neste trajeto, estava na parte de trás, e por isso me salvei. Se fosse o contrário, não poderia estar falando com você. É um horror. É uma situação de loucos.”
O repórter do jornal El País Antonio Jiménez Barca também estava no trem da Renfe. Barca mora em Madri, mas já foi correspondente em São Paulo, Paris e Lisboa.
Na época em que morava no Brasil, ele afirmou em um texto que seu lugar preferido na capital paulista era o Largo da Batata, na zona oeste da cidade.
“Bati a cabeça com muita força. Senti o trem parar. Fiquei coberto de sangue. Havia pessoas em cima de mim e muitas outras por perto”, afirmou Barca em um relato publicado pelo El País. “No vagão do refeitório, onde eu estava, os passageiros foram arremessados para fora do trem.”
Apesar de ter batido a cabeça, o jornalista relatou que estava bem.
Segundo Esther, o trem da Iryo tinha 147 passageiros, incluindo um bebê, e o da Renfe transportava 397 pessoas.
O presidente da região de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, afirmou que 44 mortos estavam no trem da Iryo e 24, no da Renfe. A identidade das vítimas fatais não havia sido confirmada até a última atualização.
Investigação
O acidente ocorreu por volta das 8h54 no horário local (4h54 em Brasília). Os dois trens colidiram em Urda, na província de Toledo.
Um porta-voz do Ministério dos Transportes da Espanha disse que as primeiras informações indicam que o trem da Renfe colidiu com a traseira da composição da Iryo, fazendo com que pelo menos dois vagões descarrilassem e caíssem em um aterro. Quatro vagões da Renfe também teriam descarrilado.
Segundo o jornal, o trem da Renfe teria reduzido a velocidade minutos antes da colisão devido a um problema de tráfego na linha.
Possível erro humano
Fontes governamentais ouvidas pelo El País afirmaram que o problema ocorreu no sistema de segurança LZB, que permite a comunicação entre as equipes de infraestrutura e os trens.
Esse sistema é utilizado apenas pela linha que liga Madri a Sevilha e está sendo substituído pelo ERTMS, que é mais moderno.
O jornal afirmou que as informações iniciais indicam a possibilidade de “erro humano”. Após a falha do sistema de segurança, seis trens interromperam a circulação.
Cerca de oito minutos depois, eles foram autorizados a retomar o trajeto, mas o trem da Iryo não conseguiu retomar a marcha e permaneceu parado.
Mesmo com a composição bloqueando a via, um operador do centro de controle teria autorizado que o trem da Renfe seguisse viagem, e o veículo colidiu por trás com o trem da Iryo.
O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, disse que uma ordem “equivocada” pode ter sido a causa do acidente.
“É dada uma ordem para que o trem retome a marcha, e há um intervalo de tempo para corrigir essa decisão. Em todo caso, uma decisão equivocada foi tomada e ocorreu o impacto”, disse Puente em entrevista coletiva.
“Foi o centro de controle, por meio de seus operadores, que tomou a decisão de retomar a circulação, em circunstâncias que, do nosso ponto de vista, são inexplicáveis”, acrescentou. A investigação do caso ainda deve confirmar os detalhes da ocorrência.
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