Falha de segurança do aeroporto facilitou fuga de Ghosn, diz jornal

Segundo o Wall Street Journal, ex-presidente da Nissan aproveitou o fato de grandes cargas não serem escaneadas em terminal de aviões particulares

Ministra Masako Mori mandou ampliar segurança

Ministra Masako Mori mandou ampliar segurança

Jiji Press Japan via EPA - EFE - 6.1.2020

Uma falha de segurança no aeroporto de Osaka que impede que grandes pacotes sejam verificados e escaneados no terminal de aeronaves particulares, foi o que permitiu ao ex-presidente da Renault-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, fugir do Japão, revelou nesta segunda-feira o jornal americano "The Wall Street Journal".

De acordo com o jornal, o executivo teria se escondido em uma grande caixa preta, semelhante às usadas para equipamentos de áudios, e que, nessa ocasião, tinha buracos para Ghosn respirar.

Brecha na segurança

Essa brecha na segurança foi detectada meses atrás por pessoas envolvidas em sua fuga, que também haviam notado que o terminal de aeronaves particulares de Osaka era muito mais silencioso do que em outros aeroportos japoneses, segundo o jornal.

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Antes da fuga, Ghosn estava em Tóquio sob vigilância e com restrições de contato com sua família, embora livre para sair de casa.

Para conseguir sair do Japão, o empresário brasileiro precisou percorrer uma distância de quase 500 quilômetros, uma distância que separa Osaka de Tóquio, capital do país.

O jornal americano também apontou que Carlos Ghosn recorreu ao serviço de empresas dos EUA de segurança privada e, em particular, um "especialista fugas clandestinas" e conhecido em seu setor, chamado Michael Taylor, que também é ex-militar das forças especiais do exército dos Estados Unidos.

Por outro lado, Ghosn tentou dissociar sua família da fuga e garantiu que apenas ele é o único responsável.

Controle de fronteiras

As autoridades japonesas aumentaram as medidas de segurança e imigração após a fuga, conforme declarado pela ministra da Justiça do Japão, Masako Mori, que disse que os procedimentos de saída do aeroporto seriam reforçados após o voo de Ghosn.

O ex-executivo estava sob fiança em Tóquio, aguardando julgamento pelas irregularidades financeiras das quais ele é acusado.