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Filha do rei da Espanha é indiciada em caso de corrupção envolvendo marido

Internacional|Do R7

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A infanta Cristina, filha mais nova do rei Juan Carlos da Espanha, foi intimada a dar explicações à Justiça no caso de corrupção que envolve o seu marido, o ex-jogador de handebol Iñaki Urdangarin, em mais um capítulo deste escândalo que tem manchado a imagem da monarquia e do rei.

A infanta, de 47 anos, é o primeiro membro da família real a ser apontada neste caso. Ela vai depor em 27 de abril diante do juiz de instrução José Carlos por possível cooperação com o seu marido, suspeito de ter desviado milhões de euros de dinheiro público através do Instituto Nóos, uma entidade que presidiu entre 2004 e 2006.

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Logo depois do anúncio da intimação de Cristina, a Casa Real espanhola manifestou "sua surpresa" com a decisão.

"Com o máximo respeito pelas decisões judiciais", a Casa Real "quer manifestar sua surpresa com a mudança de posição expressado pelo juiz", que em março de 2012 havia descartado acusar a infanta, declarou um porta-voz.

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A decisão da justiça foi anunciada no momento em que a monarquia espanhola atravessa uma crise sem precedentes desde a chegada ao trono do rei Juan Carlos, dois dias após a morte do ditador Francisco Franco em 20 de novembro de 1975.

Aos problemas de saúde do rei, de 75 anos, somou-se um escândalo de caça em Botsuana em 2012, quando o soberano precisou pedir desculpas ao país. Mergulhados em uma crise econômica, os espanhóis parecem não ter perdoado esse passo em falso.

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Até então, Cristina não era investigada no processo iniciado no final de 2011 pelo juiz Castro, do tribunal de Palma de Mallorca, que aponta Urdangarin como o principal envolvido no caso de corrupção.

Durante a investigação, Urdangarin procurou proteger a família real e sua esposa, afirmando que ninguém tinha conhecimento de suas atividades ilícitas.

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Mas o escândalo, que continua a crescer mês após mês, está se aproximando perigosamente do rei, de seu círculo familiar e da princesa.

Carlos Garcia Revenga, secretário e homem de confiança de Cristina e de sua irmã Elena, foi convocado a depor em 23 de fevereiro pelo magistrado do caso.

Além disso, o nome da infanta foi citado pela imprensa em meio à revelações divulgadas pelo ex-sócio de Urdangarin, Diego Torres.

Também acusado na investigação sobre o desvio de vários milhões de euros de fundos públicos por meio do Instituto Nóos, uma sociedade filantrópica presidida por Urdangarin entre 2004 e 2006, Torres tenta provar que a filha do rei sabia das atividades ilegais de seu marido, porque ela fazia parte do conselho de administração da Nóos.

Em sua decisão divulgada nesta quarta, o juiz Castro mencionou evidências sugerindo que a infanta "consentiu que sua ligação parental com o rei Juan Carlos fosse utilizada por seu marido".

Para o magistrado, não convocar Cristina "poderia desacreditar a máxima, segundo a qual a justiça é a mesma para todos nós".

O caso, que abalou a popularidade da realeza, atinge diretamente a princesa, diplomada em Ciência Política, conhecida por suas atividades sociais e humanitárias e diretora do departamento de previdência social da Fundação La Caixa, em Barcelona.

Loira e sorridente, sétima na linha de sucessão ao trono da Espanha, Cristina é considerada a filha "rebelde" da família, ressalta Emilio de Diego, professor de História Contemporânea na Universidade Complutense de Madri.

Nascida em 13 de junho de 1965 em Madri e apaixonada por esportes, especialmente a vela, Cristina conheceu Urdangarin nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, onde conquistou a medalha de bronze com a equipe espanhola de handebol.

O casal se casou em 4 de outubro de 1997 na Catedral de Santa Eulália de Barcelona.

"Ela gosta de homens musculosos, atléticos, altos e sensuais", assegurou o escritor Andrew Morton, biógrafo de Lady Di, que acaba de publicar o livro "Ladies of Spain. Sofía, Elena, Cristina e Letizia: Entre o dever e o amor", sobre a rainha Sofía, suas duas filhas e a princesa Letizia, esposa do príncipe herdeiro Felipe.

"É extremamente competitiva e teimosa", acrescentou Morton, que não hesitou em dizer que foi Cristina que havia tomado a iniciativa de conquistar Urdangarin.

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