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Fluxo de refugiados sírios é o maior desde genocídio em Ruanda, diz ONU

Internacional|Do R7

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Por Michelle Nichols

NAÇÕES UNIDAS, 16 Jul (Reuters) - O número de pessoas que foge do conflito na Síria subiu para uma média de 6 mil por dia durante 2013, um ritmo que não era visto desde o genocídio de Ruanda há quase duas décadas, disse nesta terça-feira o alto comissário da Organização das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres.

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Ele afirmou que dois terços dos quase 1,8 milhão de refugiados registrados pela ONU no Líbano, Turquia, Jordânia, Iraque, Egito e outros países deixaram a Síria já neste ano.

"Não vemos uma escalada no fluxo de refugiados num ritmo tão assustador desde o genocídio de Ruanda, há quase 20 anos", disse Guterres num raro depoimento público ao Conselho de Segurança sobre a Síria, onde a repressão a protestos pró-democracia descambou para uma guerra civil há mais de dois anos.

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Após o genocídio de Ruanda, que vitimou 800 mil membros da etnia tutsi e hutus moderados, milhares de pessoas fugiram desse país da África Central.

O secretário-geral-assistente da ONU para Direitos Humanos, Ivan Simonovic, disse ao Conselho de Segurança que entre março de 2011 e o fim de abril de 2013 pelo menos 92.901 pessoas foram mortas na Síria, sendo mais de 6.500 crianças.

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Um impasse entre a Rússia, aliada do governo do presidente sírio Bashar al-Assad, e potências ocidentais, que apoiam a oposição, impede que o Conselho de Segurança tome qualquer medida para conter a violência.

O embaixador sírio na ONU, Bashar Ja'afari, disse que o governo sírio estava fazendo "todo o possível para assumir a sua responsabilidade e seu dever para com o povo a fim de atender as necessidades humanitárias e as necessidades básicas dos seus cidadãos."

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A coordenadora humanitária da ONU, Valerie Amos, disse que o mundo está "assistindo não só à destruição de uma nação, mas também do seu povo".

"As consequências de segurança, econômicas, políticas, sociais, de desenvolvimento e humanitárias dessa crise são extremamente graves e seu impacto humano é imensurável em termos do trauma de longo prazo e do impacto emocional sobre esta e futuras gerações de sírios", disse Amos ao conselho.

Segundo ela, 6,8 milhões de sírios precisam de assistência humanitária urgente, incluindo mais de 4,2 milhões de refugiados internos, e quase metade dos necessitados é composta por crianças e adolescentes.

A última avaliação do Programa Mundial de Alimentos era de que 4 milhões de pessoas não conseguiam mais atender às suas necessidades alimentares básicas.

O Líbano é o país que mais recebe refugiados sírios, com 600 mil até agora. O embaixador libanês na ONU, Nawaf Salam, disse que seu país continuará com as fronteiras abertas, apesar das ameaças que a guerra civil acarretam para a estabilidade libanesa.

(Reportagem de Michelle Nichols)

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