Internacional Fome e insegurança alimentar aumentam no mundo, diz ONU

Fome e insegurança alimentar aumentam no mundo, diz ONU

A situação mais grave é a do Iêmen, com 11 milhões de pessoas que vivem sem saber quando será a próxima refeição

A RDC (Congo) enfrenta fome por conflitos

A RDC (Congo) enfrenta fome por conflitos

Thomas Mukoya/reuters - 15.3.2018

Um novo relatório mundial aponta que 124 milhões de pessoas em 51 países diferentes passaram fome ou enfrentaram uma situação de insegurança alimentar em todo o mundo, em 2017.

São 11 milhões de pessoas a mais do que no ano anterior. Em 2016, esse cenário trágico estava presente em 48 nações.

O estudo foi realizado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), a União Europeia e o Programa Alimentar Mundial da ONU e divulgado nesta quinta-feira (22), em Roma. O relatório exige ações humanitárias urgentes para conter o problema.

A maior causa da fome são os conflitos e guerras. Segundo a FAO, a fome de 60% das pessoas que enfrentam esse problema é motivada pelos conflitos.

Fome é provocada por guerras e clima

Isso acontece principalmente em países da África e do Oriente Médio como Iêmen, Sudão do Sul, República Democrática do Congo (RDC) e a região nordeste da Nigéria.

O segundo fator potencializador dessa crise alimentar mundial são as mudanças climáticas.

A seca enfrentada pela África do Sul é um exemplo. Outros 22 países — a maioria situada no continente africano — viram cerca de 39 milhões pessoas serem acrescentadas na lista da população que vive em situação aguda de insegurança alimentar pelo mesmo motivo.

Em 2018, fome pode aumentar

A preocupação das organizações envolvidas no estudo é a de que esse cenário tende a se intensificar cada vez mais.

Tanto que as previsões para 2018 não são as mais animadoras. E mais uma vez, os conflitos nesses países será o responsável por manter boa parte da população mundial faminta e subnutrida.

A situação mais grave é a do Iêmen. O país do oriente médio vive a mais longa crise alimentar entre todos os outros apresentados. São 17 milhões de pessoas na condição de insegurança alimentar.

Para efeito de comparação, a Síria — que vive uma das mais longas guerras da década —, o Iraque e a Palestina juntos possuem 10 milhões de pessoas no mesmo estado.

O cenário no Iêmen deve continuar crítico por conta da grande crise financeira enfrentada pelo país e também do surto de doenças.