Internacional França: Igreja arrecada R$ 123 mi para indenizar vítimas de abuso

França: Igreja arrecada R$ 123 mi para indenizar vítimas de abuso

Parte do dinheiro irá para vítimas e familiares e outra parte para a criação de um organismo de vigilância

AFP
O bispo católico Éric de Moulins-Beaufort havia estabelecido 20 milhões de euros como meta

O bispo católico Éric de Moulins-Beaufort havia estabelecido 20 milhões de euros como meta

Thomas Coex/AFP - 05.10.2021

A Igreja Católica francesa arrecadou 20 milhões de euros (cerca de R$ 123 milhões) para compensar os milhares de vítimas de pedófilos religiosos, anunciou nesta terça-feira (25) à AFP o presidente do fundo criado para esse fim.

"É o primeiro passo. A Igreja cumpriu o que anunciou", disse Gilles Vermot-Desroches, presidente do Fundo de Auxílio e Luta contra o Abuso Infantil (Selam, na sigla em francês).

No início de outubro, uma comissão independente, a pedido de instituições religiosas, estimou em mais de 216.000 o número de menores agredidos por padres e religiosos na França entre 1950 e 2020.

Dada a amplitude dos casos, os bispos franceses, reunidos um mês depois no centro de peregrinação de Lourdes (sul), prometeram indenizar as vítimas, sobretudo com a venda de “bens” da Igreja.

Dos 20 milhões de euros, 5 milhões vão para as vítimas que pedem uma compensação financeira a um organismo independente em fase de constituição e outro milhão para prevenção e memória.

O presidente da Conferência Episcopal da França (CEF), Éric de Moulins-Beaufort, havia estabelecido uma meta inicial de 20 milhões de euros, com "os imóveis e investimentos da Igreja".

Em seguida, as dioceses fizeram um inventário de seus recursos disponíveis (reservas, venda de casas de bispos etc.) e anunciaram gradualmente o valor de sua contribuição.

O relatório sobre a extensão dos abusos de menores dentro da Igreja Católica abalou a França, forçando os bispos a reconhecer a "responsabilidade institucional" por esses ataques.

Após a divulgação do relatório, o papa Francisco, que fez da luta contra a agressão sexual uma de suas prioridades, expressou sua “imensa dor” e “vergonha”.

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