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Fukushima: o que realmente aconteceu na pior tragédia nuclear desde Chernobyl

Tsunami desencadeou sequência de falhas na usina que provocaram explosões, vazamento de radiação e evacuação em massa

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Desastre de Fukushima ocorreu há 15 anos, em 11 de março de 2011, desencadeado por um terremoto de 9,0 de magnitude e um tsunami devastador.
  • Usina nuclear de Fukushima, operada pela Tepco, sofreu explosões e vazamento de material radioativo, classificando o acidente no nível máximo da escala internacional de eventos nucleares.
  • Mais de 150 mil pessoas foram evacuadas, com quase meio milhão de moradores deslocados devido ao desastre, e muitos nunca retornaram.
  • Investigações apontaram falhas de segurança e preparação, culminando em responsabilidades atribuídas à Tepco e ao governo japonês pelo acidente.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Foto atual da usina nuclear de Fukushima, no Japão Divulgação/Tepco (Tokyo Electric Power Company)

Nesta quarta-feira (11), o mundo relembra os 15 anos da tragédia de Fukushima, no Japão, o pior desastre nuclear desde Chernobyl, em 1986. O episódio foi desencadeado por uma sequência devastadora de eventos naturais que culminaram em explosões, vazamento de material radioativo e na evacuação em massa de moradores, deixando marcas profundas que ainda hoje afetam a região.

Tudo começou em 11 de março de 2011, quando o terremoto mais poderoso já registrado no Japão atingiu a costa leste do país. O tremor, de magnitude 9,0, foi tão intenso que chegou a deslocar levemente o eixo da Terra. Minutos depois, um gigantesco tsunami avançou sobre a costa da ilha de Honshu, arrasando cidades inteiras e deixando mais de 18 mil mortos ou desaparecidos.


Entre os locais atingidos estava a usina nuclear de Fukushima, localizada na cidade de Okuma, a cerca de 220 km de Tóquio. A instalação, operada pela Tepco (Tokyo Electric Power Company), acabaria se tornando o epicentro de uma das maiores crises nucleares da história.

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O início do pesadelo

O terremoto ocorreu às 14h46 no horário local, com epicentro próximo à cidade de Sendai. Os sistemas de segurança da usina detectaram o tremor e desligaram automaticamente os reatores nucleares, um procedimento padrão em situações de emergência.


Geradores a diesel entraram em operação para manter o sistema de resfriamento funcionando. Mesmo desligados, os reatores continuam extremamente quentes e precisam de circulação constante de água para evitar o superaquecimento do combustível nuclear.

Cerca de dez minutos depois, porém, uma onda com mais de 14 metros de altura atingiu a usina. O tsunami ultrapassou os muros de contenção e inundou as instalações, danificando os geradores de emergência e deixando o complexo praticamente sem energia.


Sem o sistema de resfriamento adequado, o combustível nuclear em três reatores começou a superaquecer nos dias seguintes. O resultado foi o derretimento parcial dos núcleos, fenômeno conhecido como colapso nuclear.

Explosões químicas também atingiram os edifícios dos reatores, espalhando material radioativo para a atmosfera e para o Oceano Pacífico. O acidente foi classificado no nível máximo da escala internacional de eventos nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica, o mesmo patamar do desastre de Chernobyl.


Evacuação em massa e impactos à saude

Com o aumento dos níveis de radiação, as autoridades japonesas criaram uma zona de exclusão ao redor da usina que foi sendo ampliada nos dias seguintes. Mais de 150 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas na região de Fukushima. No total, quase meio milhão de moradores foram deslocados por causa da combinação entre terremoto, tsunami e acidente nuclear. Muitos nunca retornaram.

Pelo menos 16 trabalhadores ficaram feridos nas explosões dentro da usina, enquanto dezenas foram expostos à radiação durante os esforços emergenciais para resfriar os reatores e estabilizar a situação. Algumas pessoas também morreram durante as evacuações, incluindo pacientes hospitalizados que precisaram ser transferidos às pressas.

Apesar do temor inicial, relatórios indicaram que os impactos diretos da radiação à saúde podem ser limitados. Um estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontou que o desastre provavelmente não causaria aumento perceptível nas taxas de câncer na região.

Já um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado em 2021 concluiu que não foram documentados efeitos adversos diretos à saúde relacionados à radiação entre moradores da área. Mesmo assim, parte da população continua desconfiada e teme os riscos a longo prazo.

Os responsáveis pela tragédia

As investigações sobre as causas do acidente apontaram falhas graves de preparação. Um relatório independente do parlamento japonês concluiu que Fukushima foi “um desastre profundamente causado pelo homem”. Segundo o documento, a Tepco não cumpriu adequadamente requisitos de segurança e não se preparou para um tsunami de grande magnitude, apesar do alerta de especialistas.

O governo japonês também foi alvo de críticas. O então primeiro-ministro Yoshihiko Noda chegou a reconhecer que o Estado compartilhava a responsabilidade pelo desastre. Em 2017, um tribunal decidiu que o governo tinha culpa parcial e deveria pagar indenizações a pessoas que foram obrigadas a deixar suas casas. Já em 2019, três ex-executivos da Tepco foram absolvidos em um processo criminal por negligência relacionado ao acidente.

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