Governo do Paquistão pede ajuda após enchentes 'avassaladoras'
Ministro das Relações Exteriores afirmou que o país precisa de apoio financeiro após destruição causada pelas fortes chuvas
Internacional|Do R7

O Paquistão precisa de ajuda financeira para lidar com as enchentes "avassaladoras", disse o ministro das Relações Exteriores do país neste domingo (28), acrescentando que espera que instituições financeiras, como o FMI (Fundo Monetário Internacional), considerem as consequências econômicas para a região.
Chuvas de monção excepcionalmente fortes têm causado inundações devastadoras no norte e no sul do país, afetando mais de 30 milhões de pessoas e matando mais de mil.
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"Eu não tinha visto uma destruição dessa escala, acho muito difícil colocar em palavras... é avassalador", disse o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Bilawal Bhutto-Zardari, em entrevista à Reuters, acrescentando que muitas safras responsáveis por grande parte dos meios de subsistência da população foram destruídas.
"Obviamente, isso terá um efeito sobre a situação econômica em geral", disse ele.
O país sul-asiático já estava em uma crise econômica, enfrentando alta inflação, desvalorização da moeda e déficit em conta corrente.
O conselho do FMI decidirá nesta semana se liberará 1,2 bilhão de dólares como parte da sétima e oitava parcelas do programa de ajuda ao Paquistão, acordado em 2019.
Bhutto-Zardari disse que a expectativa é de que o conselho aprove a liberação, uma vez que já foi alcançado um acordo entre autoridades paquistanesas e do FMI, e afirmou esperar que nos próximos meses o FMI reconheça o impacto das enchentes.
"Mais à frente, espero que não apenas o FMI, mas a comunidade internacional e as agências internacionais realmente entendam o nível de devastação", disse ele.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Bhutto-Zardari, filho da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, disse que o impacto econômico ainda está sendo avaliado, mas que algumas estimativas apontam 4 bilhões de dólares. Dado o impacto na infraestrutura e nos meios de subsistência das pessoas, ele espera que o número total seja muito maior.
O banco central do Paquistão já havia sinalizado o volume recorde de chuvas de monções como uma ameaça à economia, devido ao seu impacto na agricultura.
O Paquistão fará nesta semana um apelo pedindo a contribuição dos Estados-membros da ONU nos esforços de assistência ao país, disse Bhutto-Zardari.
Ele ainda falou da necessidade de o Paquistão analisar como vai lidar com os impactos de longo prazo das mudanças climáticas.
"Na próxima fase, quando olharmos para a reabilitação e reconstrução, teremos conversas não apenas com o FMI, mas com o Banco Mundial, o Banco Asiático de Desenvolvimento", disse Bhutto-Zardari.
Dezenas de milhares de pessoas fugiram de casa no norte do Paquistão neste sábado (27), após a rápida elevação das águas de um rio destruir uma ponte importante, no momento em que enchentes letais causam devastação em todo o país
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