Greve de caminhoneiros paraguaios deixa parte do país sem combustível

Caminhões seguem parados nas estradas, o que impossibilita a distribuição de diversos produtos. Abastecimento de cerveja está ameaçado

Presidente do Congresso se reuniu com os caminhoneiros

Presidente do Congresso se reuniu com os caminhoneiros

Reprodução/Senado do Paraguai - 30.01.2018

A paralisação de caminhoneiros no Paraguai segue firme e o país continua enfrentando dificuldades logísticas. Os motoristas que participam do protesto obrigam os outros veículos a pararem, segundo noticiários locais, muitas vezes com o uso da força. Isso está impedindo que diversas cargas cheguem a seus destinos.

A paralisação está acontecendo em protesto à liberação do tráfego de treminhões na rota que liga Ciudad del Este, na divisa com o Brasil, ao porto de Concepción, no rio Paraná. Veja o mapa.

O governo paraguaio alega que isso traria mais movimento ao porto, que passaria a receber a maior parte das safras do Mato Grosso do Sul e do Paraguai. Os caminhoneiros reclamam que a liberação dos treminhões cria uma concorrência desleal com empresas brasileiras de transporte.

As consequências da paralisação já começam a surgir. Na região do Alto Paraná, na divisa com o Brasil, os postos de combustíveis já não estão mais abastecendo os automóveis.

O combustível ainda não está em falta por completo, mas os postos estão fazendo um estoque de reserva para não deixar ambulâncias e outros serviços de urgência parados. Serviços como o transporte público e particular na região já foram afetados.

A Cervepar, responsável pela produção de cerveja no país, já anunciou que o Paraguai corre o risco de ficar sem cerveja. O diretor de assuntos coorporativos da empresa, Fernando Torres, em uma entrevista à rádio ABC Cardinal, afirmou que os caminhoneiros que prestam serviços para a cervejaria estão sendo ameaçados se furarem a greve.

O setor de laticínios também reclama que milhares de litros de leite estão estragando nos depósitos. Uma das associações de produtores fala em prejuízos de 2 milhões de guaranis (cerca de R$ 1.200,00).

O presidente da União dos Sindicatos de Produção (UGP, na sigla local), Hector Cristaldo, afirmou ao R7 que o impacto da paralisação ainda não pode ser sentindo no escoamento da safra de soja porque ainda está em sua etapa inicial, mas caso a situação se prolongue pode causar danos ao produto.

A prefeitura de Concepción emitiu uma nota afirmando que o acordo é de interesse da cidade. O Ministério de Obras e Comunicação, responsável pela medida, já anunciou que a autorização para a cié “quase irreversível”, por se tratar um projeto que envolve os governos dos dois países.

Negociação

Um grupo de caminhoneiros grevistas reuniu-se com o presidente do Congresso, Fernando Lugo. Segundo um dos representantes da classe falou aos jornalistas paraguaios, agora o Senado será responsável por atuar como intermediário na crise entre caminhoneiros e governo.

A categoria, no entanto, segue mobilizada. Roberto Almirón, o coordenador da greve na região do Alto Paraná disse, também em conversa com a rádio ABC Cardinal que os caminhoneiros estão prontos para pararem o país. “Vamos bloquear o Paraguai se não formos ouvidos. Cinco brasileiros vão dominar o Paraguai, seis com o grupo Cartes? O Paraguai está em crise”, afirmou Almirón na ocasião.

O grupo Cartes ao qual ele se refere pertence ao presidente do país, Horácio Cartes. Segundo o líder caminhoneiro a empresa do presidente possui 2 mil bitrens prontos para circular.