Guerra entra na 3ª semana e Trump rechaça acordo com Irã: ‘Condições não são boas o suficiente’
Desde o começo do conflito, nenhuma das partes moderou sua retórica, apesar das baixas, principalmente em Teerã
Internacional|Do Estadão Conteúdo
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O presidente americano Donald Trump afirmou que as condições ainda “não são boas o suficiente” para um acordo com o Irã que ponha fim à guerra, enquanto Israel, aliado de Washington, lançou, neste domingo, 15, uma nova onda de ataques contra a república islâmica.
Em uma entrevista à NBC News, o presidente assegurou que Teerã quer sentar-se para negociar, mas que Washington seguirá adiante com sua ofensiva.
“O Irã quer chegar a um acordo e eu não quero porque as condições ainda não são boas o suficiente”, disse Trump à NBC News.
Ele também assegurou que poderia bombardear novamente alvos no principal centro de exportação de petróleo do Irã, localizado na ilha de Kharg, “só por diversão”.
O Pentágono afirma que mais de 15 mil alvos foram atingidos no país.
Conflito entra na terceira semana
Após mais de duas semanas de guerra de Estados Unidos e Israel contra a república islâmica, nenhuma das partes moderou sua retórica, apesar das baixas, principalmente no Irã, e das consequências econômicas do conflito bélico.
Trump também disse que as forças americanas intensificarão os ataques na costa iraniana, ao norte do estreito de Ormuz, para desobstruir o caminho e permitir a retomada do transporte de petróleo.
O bloqueio iraniano do estreito, por onde costumava passar um quinto da produção mundial de petróleo, disparou o preço do barril.
O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, que ainda não foi visto em público, prometeu em uma declaração escrita manter fechado Ormuz.
Mas Trump sugeriu que talvez ele não esteja no comando do Irã. “Não sei se ele está vivo”, declarou.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, assegurou que “não há nenhum problema” com o novo líder, que aparentemente foi ferido no primeiro dia da guerra.
Novos ataques de Israel
O Exército israelense anunciou neste domingo (15) uma nova onda de ataques contra alvos no oeste do Irã, depois que os Guardiões da Revolução iranianos classificaram o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, como criminoso e juraram persegui-lo e matá-lo.
O Exército iraniano, por sua vez, assegurou ter realizado ataques com drones contra uma importante unidade policial e um centro de comunicações via satélite em Israel.
A guerra começou no dia 28 de fevereiro, quando os ataques dos Estados Unidos e Israel mataram o líder supremo anterior, Ali Khamenei, pai de Mojtaba.
Pela primeira vez desde então, Teerã viveu neste domingo um dia de trabalho relativamente normal, com tráfego mais intenso do que na semana passada e alguns cafés e restaurantes abertos.
No bazar de Tayrish, um popular centro comercial ao norte da capital, mais de um terço dos estandes reabriram cinco dias antes do Nowruz, o Ano-Novo persa.
Alguns compradores esperavam em frente aos caixas eletrônicos para sacar dinheiro. Também se viam pessoas nos pontos de ônibus, que desde o início da guerra estavam praticamente desertos.
Escoltar navios em Ormuz
Trump propôs uma operação naval internacional para escoltar petroleiros através do estreito de Ormuz, o que reduziria a pressão sobre o preço do petróleo e asseguraria o fornecimento para países cujas economias estão mais expostas ao conflito.
“Com sorte, China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros afetados por essa restrição artificial enviarão navios para a área”, afirmou Trump no sábado (14), nas redes sociais.
Mas muitos países parecem hesitantes. O ministério da Defesa do Reino Unido disse que está “analisando” a questão, assim como a Coreia do Sul e Japão, que não se pronunciaram claramente.
O ministro das Relações Exteriores iraniano pediu aos demais países que evitem qualquer ação que possa estender a guerra, em uma conversa com Jean-Noël Barrot, ministro dos Negócios Estrangeiros da França.
Chuva de mísseis
Bahrein e Arábia Saudita afirmaram ter interceptado novos projéteis. Em Manama, um jornalista da AFP ouviu sirenes de alerta.
E, no final de sábado, as autoridades de Dubai também informaram que as defesas aéreas realizaram novas interceptações.
Na sexta-feira (13), as forças americanas atacaram a ilha de Kharg, de onde fluem quase todas as exportações de petróleo do Irã.
Mas ambas as partes confirmaram que os ataques só acabaram com as defesas militares e deixaram intactos os terminais de exportação de petróleo.
Mais de 1.200 pessoas morreram pelos ataques dos Estados Unidos e Israel, segundo números do Ministério da Saúde iraniano — que não puderam ser verificados de forma independente.
A agência da ONU para refugiados afirma que até 3,2 milhões de pessoas foram deslocadas no Irã.






