Guerrilheiros das Farc libertam general e mais dois reféns na Colômbia
Militar de mais alta patente já sequestrado pelas Farc, Alzate foi capturado há duas semanas
Internacional|Do R7

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) libertaram neste domingo (30) o general Rubén Darío Alzate, o cabo Jorge Rodríguez e a advogada Gloria Urrego, sequestrados no último dia 16 no noroeste do país, confirmou o presidente Juan Manuel Santos.
Em mensagem em sua conta no Twitter, Santos indicou que todos se encontram "em perfeitas condições" e que espera que as condições meteorológicas permitam que se reúnam com seus familiares.
O três libertados foram entregues ao exército colombiano na base militar de Rionegro, próxima à cidade de Medellín, no noroeste do país, informou a Cruz Vermelha Internacional. Do local, a poucos quilômetros de Medellín, espera-se que sejam transferidos a Bogotá nas próximas horas.
Comandada pela Cruz Vermelha, a operação foi iniciada por volta das 8h (11h em Brasília). Alzate e seus acompanhantes foram libertados pelo 'Bloque Ivan Ríos' das Farc no casario de Vegáez, ao norte de Quibdó, capital do departamento (Estado) de Chocó, conforme informou a guerrilha em comunicado.
O responsável do CICV na Colômbia, Christoph Harnisch, informou em comunicado que a operação foi realizada "graças à confiança que as partes depositam na instituição e em seu trabalho humanitário".
Além disso, ele disse que, após verificar que os três libertados se encontravam em ótimas condições para viajar, eles foram transferidos de helicóptero a Rionegro.
Após serem transferidos para Bogotá, eles passarão por uma avaliação médica mais completa do que a realizada pelo médico do CICV na zona de libertação.
Alzate é o militar de mais alta patente já sequestrado pelas Farc, que o consideram um "prisioneiro de guerra".
Sua libertação acontece exatamente duas semanas após o sequestro no casario Las Mercedes, uma remota área de selva do departamento (Estado) de Chocó.

Negociações de paz
Em comunicado, o presidente colombiano afirmou que a libertação cria um clima propício para retomar os diálogos de paz com a guerrilha em Cuba, suspensos desde o sequestro do grupo há duas semanas.
O chefe de Estado manifestou que as Farc agiram conforme a lei ao libertar o general, o cabo Jorge Rodríguez e a advogada Gloria Urrego.
— É evidente que essa decisão contribui para recuperar o clima propício para continuar os diálogos, demonstra a maturidade do processo e nos permite unir nossa voz à de milhões de colombianos que expressam sua solidariedade com os libertados.
Na madrugada de 17 de novembro, horas após ser confirmado o sequestro, Santos anunciou a suspensão do ciclo de diálogos com as Farc que devia começar no dia seguinte em Havana e condicionou o reatamento à libertação.
Hoje, após a confirmação da libertação, o presidente afirmou que se reunirá com sua delegação nos diálogos de Havana para definir seu retorno à capital cubana e o reatamento dos diálogos, que abordam o quarto de cinco pontos da agenda, centrado nas vítimas.
— Me reunirei com os negociadores para discutir os termos de retorno a Havana. Reafirmo que a agenda do processo de negociação com as Farc é sobre os cinco pontos estipulados e isto não mudou. Alcançamos acordos sobre três dos pontos e seguiremos trabalhando para conseguir acordos nos dois restantes.
Em comunicado, as Farc pediram "redenho das regras de jogo" do processo de paz e convidaram o governo colombiano a acertar um cessar-fogo bilateral.
"Um processo de paz que chegou ao nível em que se encontra, e que se prepara para discutir os temas mais decisivos da paz, não pode estar submetido a nenhum tipo de atitude precipitada e irreflexiva que adiem o advento de nossa reconciliação. É hora da cessação bilateral de fogo, do armistício, para que nenhum fato bélico nos campos de combate sirva para justificar a interrupção de uma tarefa tão importante e tão histórica, como é a de acordar a paz para uma nação que anseia esse destino", disse o grupo em texto.
Juan Manuel Santos, por sua vez, rejeitou "o sequestro de qualquer cidadão", e disse que negociar no meio do conflito, como defendeu desde o início dos diálogos há dois anos, "tem custos que são difíceis de entender e aceitar".
— Me doem profundamente os fatos da guerra e sou o primeiro colombiano a lamentar e condenar a morte de soldados, policiais, crianças, homens e mulheres.
Ele acrescentou, no entanto, que tem "a convicção de que negociar no meio do conflito foi a melhor maneira de preservar os elementos essenciais do Estado e evitar que as conversas se transformassem em um ano interminável.
O presidente agradeceu a Cuba e a Noruega, países fiadores do processo, e ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
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