Heróis ou terroristas? Saiba quem são os capacetes brancos na Síria
A organização é reconhecida pelos Médicos Sem Fronteira em seu trabalho de assistência médica e resgate, mas Rússia e Síria a consideram uma fraude
Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7, com agências

Em meio a um fogo cruzado, a organização Capacetes Brancos, composta por voluntários desta ONG criada em 2013, atua nas regiões da Síria ainda dominadas pelos rebeldes.
O objetivo declarado da entidade é atuar como a Defesa Civil (além da Defesa Civil do governo) no país em conflito, com tratamentos de urgência, ambulância, primeiros socorros, busca de desaparecidos, em uma gama de ações de assistência médica.
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A organização é reconhecida pela entidade MSF (Médicos Sem Fronteiras), que treinou capacetes brancos para a triagem dos feridos em Idlib, região recentemente retomada pelo governo. Em depoimento ao MSF, o dentista Taher Wazzaz, que coordena as ações das equipes na cidade, descreveu neste trecho a essência do seu trabalho.
"A guerra já se arrasta há quatro anos e a situação vai piorar. Eu sou dentista, tinha uma clínica antes da guerra. Comecei a trabalhar para a Defesa Civil em 22 de junho de 2013. Todos os outros são enfermeiros voluntários ou auxiliares de enfermagem. No total, são 80 profissionais."
Ele afirma que os voluntários atendem chamados de emergência. Ou se mobilizam assim que sabem das ocorrências.
"Nosso trabalho envolve buscar os feridos. A maioria deles são civis. Quando acontece um ataque, as pessoas nos chamam pedindo por ajuda. Quando já sabemos o que está acontecendo, nós vamos até o local por conta própria. Nós temos carros, e encontramos e buscamos os feridos. Às vezes, temos de procurar por eles em meio às ruínas."
Para os governos da Síria e da Rússia, porém, o grupo é uma fraude. Segundo ambos os países, a ONG atua de forma parcial, inventando fatos em função apenas do interesse da opositora Frente al-Nusra, braço da Al-Qaeda.
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Para eles, a ONG não passa de uma fomentadora de combates para destituir o atual regime sírio, conforme se conclui pela declaração recente do Ministério de Relações Exteriores da Rússia.
“É bem sabido que os ‘Capacetes Brancos’ tomaram parte nas provocações mais odiosas durante o conflito sírio. Atuaram exclusivamente em territórios controlados por facções radicais islamitas, onde utilizaram-se de filmes para acusar as autoridades sírias."
Criada pelo consultor de segurança britânico James Le Mesurier, com o argumento de que eram necessários mecanismos para atender as vítimas de bombardeios a comunidades civis, a organização, pertencente à fundação Mayday Rescue, sediada em Istambul, se diz imparcial e apolítica.
A entidade não nega que recebe recursos de países ocidentais, como Reino Unido, Japão e Alemanha. Atualmente tem 3 mil voluntários atuando na região dos conflitos. E afirma ter ajudado a salvar mais de 60 mil pessoas desde sua criação.
O mais recente ponto de discórdia sobre a atuação dos capacetes brancos ocorreu na última segunda-feira (23), quando autoridades de Damasco consideraram uma “operação criminosa” a retirada, por parte de Israel, de 422 capacetes brancos e familiares, transferindo-os para a Jordânia.
O governo de Israel argumenta que a operação secreta, realizada no domingo (22), foi feita após solicitação da Alemanha, Reino Unido e Canadá. O objetivo era salvar a vida dos voluntários e parentes, que estavam acuados após o Exército sírio reconquistar localidades próximas da fronteira.
A perda de território do Daesh na Síria ajudou a ampliar a atuação xiita no país. Segundo cálculo do embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, há 80 mil milicianos xiitas treinados e recrutados pelo Irã em território sírio
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