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Hitler matou a própria sobrinha?

Novos documentos colocam em xeque a versão oficial de suicídio e renovam as dúvidas sobre o que aconteceu com Angela Raubal

Internacional|Sophie Tanno, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Documentos recentemente descobertos sugerem que a morte de Angela "Geli" Raubal, sobrinha de Hitler, pode ter ocorrido um dia antes do que se acreditava, colocando Hitler em Munique no momento da morte.
  • Harold Sandner, historiador alemão, encontrou registros que indicam a data de 18 de setembro de 1931 como o dia da morte, contradizendo a versão oficial de que foi em 19 de setembro.
  • A relação entre Hitler e Raubal era considerada controladora e possivelmente obsessiva, com especulações sobre um possível interesse incestuoso.
  • Os novos documentos não esclarecem o mistério da morte de Raubal, mas levantam dúvidas sobre a cronologia tradicional e possíveis encobrimentos pelas autoridades nazistas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Hitler numa cadeira de praia ao lado de Raubal, numa imagem tirada por volta de 1930
Historiadores acreditam que Hitler era profundamente obcecado por Raubal ullstein bild/Getty Images via CNN Newsource

Documentos de arquivo descobertos recentemente levantaram dúvidas sobre a possibilidade de Adolf Hitler ter assassinado sua sobrinha, cuja morte em seu apartamento em Munique, em 1931, foi oficialmente considerada suicídio.

Angela “Geli” Raubal, de 23 anos, foi encontrada morta com um tiro no peito no apartamento de Hitler, em Munique, em setembro de 1931. A arma era uma pistola pertencente ao líder nazista, que mantinha uma relação considerada incomumente próxima e controladora com a jovem parente.

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Durante 95 anos, a versão aceita foi a de que o corpo de Raubal foi encontrado em 19 de setembro, data registrada na investigação policial de Munique sobre sua morte. Naquela manhã, Georg Winter, empregado pessoal de Hitler, teria arrombado a porta do quarto da jovem, que estava trancado por dentro, e encontrado o corpo no chão, segundo os registros policiais.

Os documentos oficiais mostram que Hitler, que ganhava notoriedade política, mas ainda não havia chegado ao poder na Alemanha, deixou Munique rumo a Nuremberg na tarde do dia anterior. Segundo essa cronologia, ele não poderia ter participado da morte da sobrinha.

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No entanto, o historiador alemão Harold Sandner afirma ter encontrado um registro oficial de óbitos de Munique que aponta que o corpo de Raubal foi descoberto às 10h15 de 18 de setembro de 1931. Dois avisos de falecimento localizados em arquivos também traziam essa mesma data.

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Se os documentos forem autênticos, a morte de Raubal teria ocorrido cerca de 24 horas antes do que se acreditava, colocando Hitler em Munique quando o corpo foi encontrado. Os registros oficiais indicam que ele só partiu para Nuremberg na tarde de 18 de setembro.

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Sandner sugere que a divergência nos registros pode indicar uma possível tentativa de encobrimento por parte de autoridades policiais simpáticas ao Partido Nazista. As descobertas foram publicadas inicialmente pela revista alemã Der Spiegel e serão detalhadas no livro The Death of Angela “Geli” Raubal: Suicide or Foul Play? (“A morte de Angela ‘Geli’ Raubal: suicídio ou assassinato?”), com lançamento previsto para o próximo mês.

Angela 'Geli' Raubal, meia-sobrinha de Hitler, retratada na imagem, foi encontrada morta com um ferimento de bala no peito no apartamento de Hitler em Munique
Angela 'Geli' Raubal foi encontrada morta com um ferimento de bala no peito no apartamento de Hitler ullstein bild/Getty Images via CNN Newsource

Thomas Weber, especialista em Alemanha nazista e professor de história da Universidade de Aberdeen, afirmou que Sandner, com quem mantém contato há anos, lhe apresentou os documentos e que considera o material confiável.

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Ao descrever Sandner como alguém “extremamente meticuloso e rigoroso”, Weber disse à CNN que, embora tenha recebido as informações com ceticismo inicial, concluiu que os novos documentos colocam seriamente em dúvida a cronologia tradicional da morte de Raubal.

“Partindo do princípio de que as fotocópias compartilhadas por Sandner são autênticas, e não tenho motivos para duvidar disso, parece claro que Raubal morreu um dia antes do que todos presumimos durante quase um século e que, portanto, Hitler ainda estava em Munique quando ela morreu”, afirmou. Segundo ele, a existência de três documentos independentes apontando para a data de 18 de setembro torna improvável a hipótese de um simples erro administrativo.

Apesar disso, Weber evitou concluir que Hitler tenha assassinado a sobrinha.

O historiador observou que os nazistas poderiam ter outras razões para ocultar os fatos. Na época, o partido buscava ampliar seu apoio entre os setores conservadores tradicionais, enquanto Hitler tentava construir uma imagem pública de respeitabilidade e virtude, algo que poderia ser comprometido por qualquer escândalo.

Raubal era filha da meia-irmã de Hitler, Angela Hammitzsch (nascida Hitler). Ela viveu próxima ao tio por anos, enquanto sua mãe trabalhava como governanta para ele, até se mudar para o apartamento de Hitler em Munique, em 1929.

Muitos historiadores acreditam que Hitler era profundamente obcecado por Raubal e que seu comportamento em relação a ela se tornou cada vez mais controlador e possessivo. Alguns sugerem que a relação teria tido caráter sexual, embora essa hipótese permaneça controversa. É consenso que Hitler exercia influência significativa sobre a vida da jovem.

“Há especulações de que Hitler tinha uma obsessão doentia por Raubal, que a amava, que seu interesse tinha caráter incestuoso e que a matou por ciúmes, seja porque ela queria deixá-lo, seja porque ele descobriu que ela amava outra pessoa”, afirmou Weber, acrescentando que existem diversas versões dessa teoria.

O professor disse que, pessoalmente, considera difícil acreditar que a relação tenha sido incestuosa, mas reconhece que os padrões de comportamento de Hitler indicam um “laço profundo” com a sobrinha.

Acredita-se que, pouco antes da morte, Hitler e Raubal tenham discutido porque ela queria deixar Munique e se mudar para Viena para estudar música.

Os documentos recém-descobertos não solucionam o mistério sobre a forma como Raubal morreu. Porém, reacendem questionamentos que persistem há quase um século sobre o que realmente aconteceu no apartamento de Munique no dia de sua morte.

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