Internacional Irã abole polícia da moral após onda de protestos motivados pela morte de Mahsa Amini

Irã abole polícia da moral após onda de protestos motivados pela morte de Mahsa Amini

Jovem foi detida por supostamente usar o véu de forma 'inapropriada' e violar o rígido código de vestimenta do país

AFP

Resumindo a Notícia

  • Polícia da moralidade foi criada no governo de Mahmud Ahmadinejad (de 2005 a 2013)
  • Órgão tinha a obrigação de espalhar a cultura da decência e do hijab (lenço feminino)
  • Primeiras patrulhas começaram seu trabalho em 2006
  • Autoridades anunciaram que estão examinando a lei de 1983 sobre o véu obrigatório
Mulher segura foto de Mahsa Amini, jovem morta pela polícia da moral

Mulher segura foto de Mahsa Amini, jovem morta pela polícia da moral

Ozan Kose/AFP - 20.09.2022

O Irã decidiu abolir a polícia da moral após mais de dois meses de protestos desencadeados pela morte de Mahsa Amini, detida por supostamente usar o véu de forma "inapropriada" e violar o rígido código de vestimenta do país, anunciou a mídia local neste domingo (4).

"A polícia da moral não tem nada a ver com o Judiciário" e foi abolida, disse o procurador-geral do Irã, Mohammad Jafar Montazeri, no sábado, informou a agência de notícias Isna.

O promotor respondeu a uma pessoa que participava de uma cerimônia religiosa na cidade de Qom, a sudoeste de Teerã, que perguntou "por que a polícia da moralidade foi abolida".

A polícia da moralidade, conhecida como Gasht-e Ershad [patrulhas de orientação], foi criada durante o governo do presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad (de 2005 a 2013) para "espalhar a cultura da decência e do hijab (lenço feminino)".

Suas unidades são formadas por homens de terno verde e mulheres que usam xador preto, vestimenta que cobre todo o corpo, exceto o rosto. As primeiras patrulhas começaram seu trabalho em 2006.

O anúncio, visto como um gesto para os manifestantes, ocorre um dia depois que as autoridades anunciaram que estavam examinando se a lei de 1983 sobre o véu obrigatório precisava de mudanças.

O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, declarou no sábado que as bases republicanas e islâmicas do Irã estão constitucionalmente consolidadas, mas que existem "métodos de aplicação da Constituição" que podem ser "flexíveis".

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