Irã ameaça retaliar Israel após violação de cessar-fogo e promete resposta ‘dolorosa’
Israel atacou o sul de Beirute, violando os termos do cessar-fogo renovado na última semana com Washington
Internacional|Estadão Conteúdo
O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, afirmou em sua conta oficial no X que o país dará uma resposta “firme e dolorosa” ao ataque realizado pelas forças militares de Israel contra os subúrbios de Beirute neste domingo (7).
Os conflitos no Oriente Médio entre o Irã e os Estados Unidos completam 100 dias neste domingo.
O parlamentar disse que os alvos israelenses devem ser contidos e alertou para que “a população observe o céu das terras ocupadas na noite de hoje”.
A declaração ocorre poucas horas após a aviação israelense bombardear a periferia da capital libanesa, quebrando o acordo de cessar-fogo assinado recentemente em Washington.
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As Forças Armadas israelenses bombardearam neste domingo (7) os bairros do sul de Beirute, considerados o principal reduto do partido-milícia xiita Hezbollah, em uma violação das condições estipuladas na renovação do cessar-fogo acordada na última quarta-feira entre os governos do Líbano e de Israel.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e seu ministro da Defesa, Israel Katz, informaram sobre esse ataque e alegaram que se trata de uma “resposta” aos ataques do Hezbollah contra território israelense nesta mesma manhã.
“De acordo com as ordens do primeiro-ministro Netanyahu e do ministro da Defesa Katz, as FDI atacaram os centros de comando do bairro de Hadadiya, em Beirute, em resposta ao ataque do Hezbollah contra território israelense”, publicou o gabinete de Netanyahu nas redes sociais.
A aviação israelense bombardeou assim a zona de Dahiye, os bairros do sul da capital libanesa, apesar do acordo de cessar-fogo assinado na semana passada entre o Líbano e Israel com a mediação dos Estados Unidos, precisamente para evitar uma ofensiva aérea israelense contra Beirute.
A mídia libanesa confirmou um bombardeio israelense sobre o sul de Beirute, embora, por enquanto, não haja confirmação de vítimas ou danos materiais.
As Forças Armadas de Israel haviam informado anteriormente sobre a interceptação de dois foguetes lançados contra o território do norte de Israel, o primeiro ataque do Hezbollah em solo israelense desde quarta-feira, quando foi divulgado o acordo entre Israel e o Líbano.
De acordo com informações da agência de notícias estatal iraniana IRNA e da Associated Press, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, justificou a ofensiva aérea como uma retaliação a disparos anteriores que teriam sido efetuados pelo grupo Hezbollah em direção ao norte de Israel, embora a organização libanesa não tenha reivindicado a autoria das ações.
Moradores de Beirute relataram ter ouvido três explosões na região urbana, o que marca o segundo bombardeio ao território desde o primeiro pacto de cessar-fogo, firmado em 17 de abril.
‘Alvos legítimos’
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos e a violação do acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano tornam as bases e ativos tanto israelenses quanto norte-americanos alvos legítimos das Forças Armadas iranianas.
“Não acreditam em diálogo. E, com o bloqueio naval e a violação dos acordos sobre o Líbano, mostraram que só entendem a linguagem da força”, disse Ghalibaf em publicação na rede social X.
“O bloqueio naval contra o povo do Irã e o sinal verde dado hoje pelos EUA ao regime sionista transformam as bases e os ativos dos EUA e do regime na região em alvos legítimos”, acrescentou.
Pela manhã, em entrevista concedida ao programa “Meet the Press”, da rede de televisão americana NBC News, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo norte-americano não vai liberar ativos financeiros congelados nem afrouxar as sanções econômicas contra o Irã em nenhum eventual acordo inicial para encerrar a guerra entre os dois países.
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