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Iraquiano exclui imagem da esposa candidata e usa a própria nos cartazes da campanha

Em Kirkuk, eleição parlamentar ganha repercussão após mulher ter foto substituída ‘por respeito às tradições’

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Sheikh Ahmed Ibrahim substitui a foto de sua esposa, Shayma Sami, por sua própria imagem nos cartazes da campanha eleitoral.
  • A decisão foi tomada por "respeito às tradições sociais e familiares" em Kirkuk, onde a exposição de mulheres é restrita.
  • O episódio levanta questões sobre a autonomia das candidatas mulheres e reforça a tensão entre modernização e conservadorismo na política iraquiana.
  • Shayma Sami é uma das seis mulheres concorrendo a uma das cadeiras reservadas para gênero no parlamento, e as eleições estão marcadas para 11 de novembro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Empresário estrela cartaz da campanha da própria mulher, que nem aparece nas peças de campanha Reprodução de vídeo/Rudaw

Um caso inusitado chamou atenção durante a campanha eleitoral no Iraque. O empresário Sheikh Ahmed Ibrahim colocou a própria foto nos cartazes de sua esposa, Shayma Sami, candidata ao parlamento pelo Partido Taqadum, na província de Kirkuk.

Embora não seja ele o concorrente, Ibrahim diz que a decisão foi tomada “por respeito às tradições sociais e familiares” de sua comunidade.

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Segundo o marido, a exposição pública de mulheres em determinadas regiões ainda é vista com reservas. “IHá muitos cartazes apenas com nome e número do candidato”, afirmou à emissora de TV Rudaw. Ele administra pessoalmente o comitê da campanha, reforçando que o peso das relações tribais e familiares é mais determinante que a imagem pessoal nas eleições locais.

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A ausência da foto de Shayma não se limita à propaganda. O próprio Ibrahim, junto de outros parentes, recebe apoiadores e conduz encontros em nome dela. Ainda assim, ele garante que a esposa está comprometida em atuar caso seja eleita. “Entramos na política para servir as pessoas e nossos parentes na província de Kirkuk”, disse, destacando que a família conta com ampla rede de apoio entre os clãs regionais.

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O episódio, contudo, gerou polêmica e questionamentos sobre a autonomia e a visibilidade das candidatas mulheres no cenário político iraquiano. Para Srud Mohammed, presidente da organização Iraqi Hope, a situação representa um retrocesso. “Se ela for minha representante, deve se mostrar, falar. Como defenderá meus direitos se nem sabemos quem ela é? Isso mostra que está sendo usada”, disse.

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Shayma Sami é filha do líder tribal Sheikh Sami Batushi, chefe do clã Batushi na cidade de Riyadh, no sul da província de Kirkuk. Seu marido, Ahmed Ibrahim, é um empreiteiro conhecido na região. O casal pertence a uma família influente, fator que pode garantir votos mesmo diante da ausência da imagem da candidata.

A disputa pela vaga feminina em Kirkuk é acirrada. Shayma está entre as seis mulheres que concorrem a uma das cadeiras reservadas à cota de gênero no parlamento iraquiano. A prática busca aumentar a participação feminina, mas o episódio revela como as barreiras culturais ainda restringem essa presença.

O caso também expõe as tensões entre modernização e conservadorismo em uma sociedade em que a honra familiar e a tradição tribal frequentemente se sobrepõem ao discurso de igualdade política. Analistas apontam que, embora o país tenha avançado em representação feminina formal, situações como a de Shayma reforçam que a independência de muitas candidatas ainda depende da aceitação masculina.

As eleições legislativas no Iraque estão marcadas para 11 de novembro.

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