Irmão de brasileira morta em Portugal: 'Polícia nem nos procurou'
Família de Camila Mendes mora em Ipatinga e conseguiu arrecadar dinheiro para repatriar o corpo da mulher, assassinada pelo namorado
Internacional|Giovanna Orlando, do R7

Na semana passada, a família de Camila Mendes recebeu a notícia de que a mulher, que estava morando em Portugal há cerca de dois meses, havia sidoassassinada em Arruda dos Vinhos e que seu corpo tinha sido encontrado em uma mala.
Porém, não foi a polícia que fez o comunicado de que Camila estava morta. A família só ficou sabendo da tragédia porque brasileiros que moram na pequena cidade portuguesa entraram em contato.
O irmão de Camila, Werleis Silva, disse que até agora, oito dias depois do assassinato, a polícia portuguesa ainda não entrou em contato com a família, que mora em Ipatinga, interior de Minas Gerais.
“Por incrível que pareça, a polícia portuguesa não nos ligou, não falou nada sobre condenação, julgamento, justiça... Nós, oficialmente, não sabemos nada”, disse.
A família foi avisada do crime através de outros brasileiros que moram no país. “A gente descobriu por telefonema, por pessoas que vivem na república de brasileiros”, explica.
Vítima de feminicídio
Camila foi morta pelo namorado, Robson Mandela, um primo que morava em Portugal há 15 anos e veio passar uma temporada no Brasil com a família no começo do ano. Os dois começaram a se relacionar e ela decidiu viajar para o país europeu com ele, sem a família saber.
Até agora, a principal suspeita é de que se trata de um feminicídio e que Robson tenha matado Camila alegando ciúmes. Werleis conta que ele já havia batido em Camila antes.
“Quando eles estavam lá teve, sim, um ato de agressão e a polícia foi chamada. Ela nos contou e nós queríamos que ela voltasse”, contou. O caso, porém, não deu em nada. “A polícia não deu prosseguimento na investigação."
A família, muito conservadora, não aprovava o relacionamento dos dois. “De maneira nenhuma, nós nunca apoiamos. Nós não aceitamos esse relacionamento e só descobrimos isso depois”, explica.
Camila, que é mãe de uma menina de 10 anos, tinha se mudado para o país europeu com a intenção de trabalhar e conseguir levar a menina para morar com ela. “A minha irmã era extraordinária, uma pessoa de um coração imenso, amigável e muito dedicada à filha. Nós a amamos muito”, disse.
O traslado do corpo
Depois de serem informados da morte de Camila, a família precisava arrecadar fundos para trazer o corpo para o país. Werleis abriu uma conta em um banco na última sexta-feira (4) para conseguir os R$ 20 mil necessários para o traslado do corpo e depois a viagem de Belo Horizonte para Ipatinga.
“Ontem veio a grande surpresa que conseguimos alcançar o objetivo proposto”, conta.
Ele diz que a família já está em contato com uma funerária em Portugal e uma em Ipatinga que estão resolvendo tudo, mas que com a burocracia o enterro talvez só aconteça na semana que vem.
Ajuda consular
Em nota, o Itamaraty informa que já está em contato com a família dando assistência necessária para a emissão de documentos e orientações gerais, além de tentar acelerar os trâmites legais com o governo português:
"As representações diplomáticas e consulares do Brasil em Portugal acompanham o caso. Observe-se que, quando um cidadão brasileiro falece no exterior e sua família opta por trazer seus restos mortais ao Brasil, as embaixadas e os consulados brasileiros sempre procuram apoiar os familiares com orientações gerais, a expedição de documentos (atestado de óbito, por exemplo), e também no contato com autoridades locais (especialmente para tentar agilizar e facilitar os trâmites). Informamos que não há previsão legal que permita o pagamento de despesas hospitalares ou traslado dos corpos pelo Governo Federal."









