Islamitas protestam no centésimo dia da destituição de Mursi
Internacional|Do R7
Cairo, 11 out (EFE).- Os islamitas egípcios desafiaram de novo nesta sexta-feira as autoridades com protestos em todo o país, que derivaram em distúrbios esporádicos que deixaram pelo menos dois mortos, sem que fossem cumpridas as previsões de outra grande escalada da violência. No dia em que se completam 100 dias do golpe militar que depôs o presidente islamita Mohammed Mursi, milhares de seus seguidores se manifestaram no Cairo e em outras cidades do Egito. A tensão era palpável porque a repressão policial dos protestos terminou no domingo com 57 mortos e 390 feridos, na jornada mais sangrenta desde agosto, quando centenas de pessoas morreram depois que as forças armadas desmantelaram os acampamentos islamitas a favor da volta ao poder de Mursi. Os manifestantes cantaram palavras de ordem a favor de Mursi e contra o chefe do Exército e atual "homem forte" do Egito, Abdelfatah al Sisi, ao mesmo tempo em que levaram cartazes com o símbolo da praça de Rabea al Adauiya, onde foi desmantelado o principal acampamento dos islamitas. A maioria das manifestações transcorreu em calma, embora tenham sido registradas duas mortes em distúrbios, uma no Cairo e outra na cidade de Faqus, na província de Al Sharquiya. O falecido na capital é um jovem manifestante de 18 anos que recebeu um disparo no peito efetuado por um policial, segundo denunciaram a Irmandade Muçulmana. Na cidade mediterrânea de Alexandria, partidários e opositores de Mursi lançaram pedra e usaram pistolas de balas de chumbo, enquanto a polícia interveio lançando gás lacrimogêneo para dispersar as pessoas. No Cairo, as forças de segurança, apoiadas por tanques e blindados, se desdobraram em torno das sedes governamentais e nas praças que são os possíveis destinos das manifestações, segundo pôde constatar a Agência Efe. As praças de Rabea al Adauiya e Al-Nahda, palco dos acampamentos, e a cêntrica Tahrir, permaneceram fortemente vigiadas e rodeadas de barreiras protegidas por um forte dispositivo de segurança. Os islamitas tinham programado a manifestação para a praça Tahrir, epicentro daos protestos contra o presidente egípcio Hosni Mubarak em janeiro de 2011, e contra Mursi em junho passado, mas mudaram finalmente de planos para evitar o derramamento de sangue. Apesar deste movimento, a Coalizão Nacional de Defesa da Legitimidade, que agrupa a Irmandade Muçulmana e outros grupos afins, reivindicou seu direito a se manifestar nestas praças e destacou que seus protestos são pacíficas. O Ministério do Interior advertiu que enfrentará "qualquer tentativa de sair da legalidade" e impedirá novas acampamentos. Após a reza muçulmana do meio-dia, os partidários de Mursi saíram em marchas pelos bairros cairotas de Giza, Mohandisin e Cidade Nasser, entre outros. O chefe do Exército era o principal alvo das críticas expressadas em alguns protestos que os manifestantes fizeram em Mohandisin. Nesta semana, as autoridades deram um novo golpe na Irmandade Muçulmana, ao ordenar sua dissolução como ONG e fixar o julgamento de Mursi e de outros dirigentes da confraria para o próximo dia 4 de novembro. Os islamitas convocaram também protestos nas cidades de Ismailiya e Port Said, no Canal de Suez, de Qena, no sul, e de Al Arish, no norte do Sinai, entre outras. Na Península do Sinai, foi registrado hoje um novo ataque contra as forças de segurança, após a explosão de uma bomba na cidade de Rafah durante a passagem de um blindado do Exército, que causou ferimentos em seis soldados. EFE mv-ms/ff (foto)










