Internacional Israel e Jihad Islâmica confirmam trégua após 41 mortes

Israel e Jihad Islâmica confirmam trégua após 41 mortes

Acordo vem graças à mediação do Egito, depois de três dias seguidos de confrontos sangrentos na Faixa de Gaza

AFP
Vários foguetes são lançados da cidade de Gaza em direção a Israel neste domingo

Vários foguetes são lançados da cidade de Gaza em direção a Israel neste domingo

Mahmud Hams/AFP - 07/08/2022

Israel aceitou neste domingo (7) a trégua proposta pelo Egito na Faixa de Gaza. Horas mais tarde, foi a vez do grupo armado Jihad Islâmica confirmar sua adesão ao acordo, após três dias de ataques, que deixaram pelo menos 41 palestinos mortos, incluindo crianças

"Foi concluído há pouco um acordo de trégua, que inclui o compromisso do Egito de agir em favor da libertação de dois prisioneiros, (Basem) Al Saadi e (Khalil) Awawdeh", disse, em um comunicado, Mohamed Al Hindi, chefe do braço político da Jihad Islâmica.

As negociações representam um raio de esperança para o fim da escalada de violência mais grave em Gaza, depois da guerra de 11 dias, em maio de 2021.

Desde sexta-feira (5), o exército de Israel bombardeia posições da Jihad Islâmica em Gaza, um território de 362 quilômetros quadrados, que está sob bloqueio israelense há mais de 15 anos, e onde vivem 2,3 milhões de pessoas. A justificativa para os ataques é eles serem direcionados para locais de fabricação de armas.

As negociações

O presidente egípcio Abdel Fatah al Sisi disse que os mediadores conversavam com as partes "24 horas por dia" para acabar com a violência. 

Uma fonte da Jihad Islâmica citou discussões de "alto nível" para uma trégua, mas advertiu que a "resistência não acabará se a agressão e os crimes da ocupação [israelense] não forem interrompidos". 

Neste domingo, o grupo lançou foguetes em direção a Jerusalém pela primeira vez desde o início da escalada da violência, mas os projéteis foram derrubados pelo Exército. Israel afirma ter neutralizado toda a "alta cúpula da ala militar da Jihad Islâmica em Gaza".  

A relação inclui Taysir al Jabari "Abu Mahmud", um dos principais líderes do grupo armado, morto na sexta-feira, em Gaza, e Khaled Mansour, um alto comandante, que faleceu em um ataque em Rafah.

O Ministério da Saúde de Gaza anunciou que os confrontos mataram mais de 31 palestinos, incluindo 6 crianças, e deixaram 275 feridos. "A situação é muito ruim", declarou à AFP Mohamed Abu Salmiya, diretor do hospital Shifa, de Gaza. "Chegam feridos a cada minuto." 

As autoridades israelenses rebatem a acusação e afirmam que várias crianças palestinas morreram no sábado à noite em Jabalia, no norte de Gaza, vítimas do lançamento frustrado de foguetes em direção a Israel, e não como parte da ofensiva de seu exército. 

O exército israelense diz ter atacado 139 posições da Jihad Islâmica. Também informa que os militantes lançaram mais de 600 foguetes e morteiros, mas que pelo menos 100 projéteis caíram no território palestino.

Em Jerusalém, no domingo, centenas de israelenses celebraram um feriado judaico, com a visita de nacionalistas à Esplanada das Mesquitas, conhecida entre os judeus como o Monte do Templo. Essa parte da cidade fica no setor oriental da cidade, ocupado e anexado por Israel, fonte de tensões e confrontos violentos entre as forças israelenses e os palestinos.

Israel alega que seus ataques começaram de forma "preventiva", diante de possíveis represálias após a detenção de um líder da Jihad Islâmica na Cisjordânia, dias antes. 

Ainda no domingo, o exército israelense anunciou a detenção de 20 membros da Jihad Islâmica na Cisjordânia ocupada. Outros 20 militantes da organização foram detidos no sábado (6).

O Hamas, movimento islamita que governa Gaza desde 2007, emitiu um comunicado contra as "incursões" israelenses, que poderiam levar a uma situação "fora de controle". Esse movimento, que já travou diversas guerras contra Israel, permanece à margem do atual conflito.

A vida diária em Gaza foi paralisada, e a única central de energia elétrica do território teve que interromper as atividades neste sábado, por falta de combustível, provocada pelo bloqueio das entradas no enclave por parte de Israel desde terça-feira (2).

O Ocha (Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários) alertou para o "grave risco" que o conflito representa para a "continuidade dos serviços básicos essenciais". No sul e no centro de Israel, os civis foram obrigados a procurar abrigos antiaéreos. 

Ao menos 2 pessoas foram hospitalizadas, com ferimentos de estilhaços, e 13 ficaram levemente feridas quando tentavam chegar a abrigos, informou o serviço de emergência Magen David Adom.

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