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Israel enfrenta mais riscos em novo conflito com Irã por baixo estoque de defesa antimíssil

Relatórios apontam redução de interceptores após guerra de 2025; novas táticas iranianas ampliam preocupação

Internacional|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Israel enfrenta riscos elevantes devido à redução de seus interceptores de mísseis após o conflito de 2025 com o Irã.
  • O arsenal de defesa dos EUA também apresenta limitações, o que gerou preocupações sobre a resposta a novos ataques iranianos.
  • A taxa de sucesso na interceptação de mísseis iranianos foi de 85%, mas a escassez de interceptores é alarmante.
  • Os militares israelenses se prepararam para possíveis novos confrontos, ajustando suas estratégias de defesa e proteção civil.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Míssil vindo do Irã cai no litoral de Haifa, em Israel REUTERS

O novo confronto envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã amplia a pressão sobre o estoque israelense de interceptores de mísseis balísticos, reduzido em 2025 após a chamada guerra dos 12 dias entre os dois países. O embate colocou sob forte estresse o sistema de defesa antimíssil de Israel.

Em paralelo, o arsenal americano de mísseis antibalísticos terrestres e marítimos, responsável por proteção adicional durante o conflito, também apresenta limitação semelhante.


O cenário levanta questionamentos: diante de novos ataques iranianos, forças israelenses e americanas conseguirão localizar lançadores inimigos com rapidez e destruir armamentos ainda em solo antes do esgotamento dos próprios interceptores?

“Tenho ouvido generais, jornalistas e ministros dizendo: ‘Não, estamos bem’”, afirmou Ran Kochav, ex-comandante das forças de defesa aérea e antimíssil de Israel, ao comentar declarações otimistas veiculadas na televisão israelense. “É uma falsa sensação de segurança.”


Kochav mencionou, de forma cautelosa, “problemas de estoque” capazes de gerar alto custo estratégico. “Não existe um lugar seguro automático”, declarou.

Embora o Domo de Ferro seja o componente mais conhecido da defesa aérea israelense, o sistema foi concebido para interceptar foguetes de curto alcance disparados pelo Hamas. Em eventual confronto com Irã ou Hezbollah, no Líbano, entram em cena outros mecanismos.


O Estilingue de Davi atua contra mísseis de médio e longo alcance em altitudes intermediárias. O Arrow 3, desenvolvido pela Boeing em parceria com a Israel Aerospace Industries, intercepta mísseis balísticos de longo alcance acima da atmosfera terrestre.

Durante o conflito de junho, os Estados Unidos reforçaram a proteção com duas baterias terrestres do sistema THAAD (Defesa Terminal de Área de Alta Altitude) e com destróieres equipados com o sistema Aegis, armados com mísseis antibalísticos SM-3.


Trabalho bem-sucedido

Segundo relatos, as defesas dos dois aliados operaram de forma integrada, alcançando resultados expressivos. Dos 574 mísseis balísticos lançados pelo Irã, 49 atingiram alvos considerados relevantes, conforme relatório do Instituto Judaico para a Segurança Nacional da América (JINSA), sediado em Washington. Parte dos projéteis falhou ou caiu em áreas desprotegidas.

Israel e Estados Unidos tentaram interceptar 322 mísseis iranianos e neutralizaram 273, alcançando taxa de sucesso de 85%.

Ainda assim, entre 100 e 250 interceptores THAAD disparados pelos EUA representaram de 20% a 50% do arsenal disponível no Pentágono. Os 80 mísseis SM-3 utilizados corresponderam a quase um quinto do estoque militar ao fim de 2025, segundo relatório de dezembro do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).

“Esse foi um esforço defensivo impressionante, mas também mostrou que nossos estoques básicos eram muito baixos”, afirmou Ari Cicurel, autor do relatório do JINSA.

Produção insuficiente?

Em janeiro, o Pentágono decidiu ampliar a produção anual de interceptores THAAD, passando de 96 para 400 unidades. Especialistas apontam, no entanto, ritmo lento na fabricação dos interceptores Arrow 3 e SM-3, cerca de 24 unidades por ano para cada modelo.

Os dados sobre estoque e produção do Arrow 3 em Israel permanecem sob sigilo.

Tal Inbar, pesquisador sênior da Missile Defense Advocacy Alliance, comentou: “Digo aos meus amigos que, se eles gostam de se preocupar, não vou estragar a surpresa”.

Promessa de defesa

As Forças Armadas de Israel buscam tranquilizar a população, sustentando proteção por meio de sistemas antimísseis e de ampla rede de abrigos antiaéreos. Durante o conflito de junho, pessoas abrigadas em locais protegidos registraram poucos ferimentos. Em um episódio, um prédio de vários andares sofreu destruição quase total, exceto os abrigos reforçados em cada pavimento.

“Independentemente de termos interceptores suficientes ou não”, declarou a capitã Adi Stoler, porta-voz das Forças Armadas de Israel, “uma coisa com certeza os manterá seguros: os abrigos.”

Em eventual novo confronto, forças israelenses e americanas enfrentarão pressão para repetir o desempenho de 2025, quando a força aérea de Israel eliminou parcela relevante do arsenal de longo alcance iraniano ainda em solo, no início das hostilidades.

“Se presenciarmos uma supremacia aérea como a que vimos em junho, a vida útil de qualquer lançador em operação será muito curta”, afirmou Inbar.

Táticas iranianas

Ao longo do conflito de junho de 2025, o Irã ajustou estratégias. Houve lançamentos a partir de posições mais a leste e exploração de brechas nas defesas israelenses por meio de salvas menores, em intervalos frequentes e horários variados, inclusive noturnos, estratégia capaz de exaurir sistemas e pressionar a população.

Segundo o relatório do JINSA, mísseis atingiram repetidamente centros urbanos como Beersheva, levando Israel a ampliar o uso de interceptores para proteção civil.

“Vários mísseis por dia podem causar muitos danos econômicos”, afirmou Inbar. “Muitas pessoas terão medo de sair de casa e a maioria dos locais de trabalho não estará aberta. Esta é uma situação que eu não quero ver acontecer.”

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