Israel entra em bloqueio político sem precedentes

Com as falhas de Benjamin Netanyahu e, agora, de Benny Gantz, nas tentativas de formar um governo, país tem 21 dias para evitar novas eleições

Gantz desistiu de tentar formar coalizão de governo

Gantz desistiu de tentar formar coalizão de governo

Abir Sultan / EPA - EFE - 20.11.2019

Horas antes do fim do prazo, o líder centrista Benny Gantz anunciou nesta quarta-feira (20) ao presidente de Israel, Reuven Rivlin, a "impossibilidade" de formar um governo, repetindo o fracasso da tentativa de Benjamin Netanyahu e abrindo um período político sem precedentes no país.

"Nos últimos 28 dias, não deixei de mover nenhuma pedra, não importa o quão pequena fosse, na minha tentativa de formar um governo que traga ao Estado de Israel uma liderança com integridade, moralidade e valores", disse Gantz sobre as diferentes opções que explorou sem sucesso, tanto para um governo de unidade como para um governo de coalizão.

Em discurso televisionado, Gantz culpou o primeiro-ministro em exercício, Netanyahu, pelo fracasso e enalteceu que o partido que comanda, Azul e Branco, foi o mais votado nas eleições de 17 de setembro, convocadas após o bloqueio político das eleições de abril.

O presidente tinha recomendado um governo de unidade tanto a Netanyahu, o primeiro a ser escolhido para formar o gabinete, como depois a Gantz, que teve quase um mês para tentar.

No entanto, as negociações entre as duas formações, Likud e Azul e Branco, não prosperaram e ficaram bloqueadas após a reunião dos dois líderes na noite de terça-feira.

Lieberman, determinante

O líder da extrema-direita, Avigdor Lieberman, revelou que não apoiaria um governo de coalizão liderado por Gantz com o apoio "direto ou indireto" da Lista Árabe Unida, o que deixou o líder centrista com poucas opções para continuar com as negociações que garantiu manter até o último minuto.

Lieberman "culpou" ambos pela contínua falta de governo em Israel. Gantz, por "não aceitar o plano do presidente (o que implicaria uma rotação na liderança iniciada por Netanyahu)", e o primeiro-ministro em exercício, por não "renunciar a um governo messiânico e Haredi (ultraortodoxo)".

Ele também se referiu a essas alternativas como "coalizões antissionistas" — com árabes e ultraortodoxos — o que gerou críticas de todos os partidos políticos.

Netanyahu pede novas negociações

"Estou preparado para entrar num diálogo imediato com vocês, sem condições prévias, para estabelecer um governo de unidade. Se formos juntos, teremos sucesso", exigiu Netanyahu logo após o anúncio de Gantz.

O "Canal 10" de notícias também informou nesta noite que a Procuradoria-Geral da República tinha tomado uma decisão sobre formalizar ou não a acusação de Netanyahu em três casos de corrupção.

A acusação de Netanyahu também foi um obstáculo nas negociações, uma vez que Gantz prometeu em campanha que não governaria com um acusado. A decisão final da Procuradoria-Geral influenciará o calendário político das próximas semanas.

21 dias para evitar eleições

Rivlin informará nesta quinta-feira ao presidente do Parlamento que, pela primeira vez em Israel, os dois candidatos falharam, motivo pelo qual abrirá um período de 21 dias para um deputado do Knesset ganhar o apoio de 61 legisladores e assim obter o mandato do presidente para tentar formar um governo em duas semanas.

Se nenhuma opção for apresentada, o Parlamento será imediatamente dissolvido e novas eleições serão convocadas.

Gantz disse que continuará a trabalhar durante esse tempo para formar "um bom governo" a fim de evitar uma terceira eleição em menos de um ano, e novamente defendeu um governo de unidade.

"Faltam 21 dias para alcançarmos uma solução democrática. São 21 dias fatídicos durante os quais a democracia em Israel será submetida ao seu teste mais importante", analisou.