John Kerry visita o Egito para pedir por democracia
Visita ocorre após Justiça egípcia ter condenado à morte 183 membros da Irmandade Muçulmana
Internacional|Do R7

O secretário de Estado americano, John Kerry, chegou neste domingo (22) ao Egito para uma visita surpresa, a da mais alta autoridade dos Estados Unidos desde a tomada de posse como presidente de Abdel Fattah al-Sisi, o ex-chefe do Exército que destituiu o islamita Mohamed Mursi.
A visita ocorre após a confirmação de 183 sentenças de morte por um tribunal no centro do Egito, incluindo a do chefe da Irmandade Muçulmana, à qual pertence Mursi, o Guia Supremo Mohamed Badie.
Estas condenações à morte foram impostas em um contexto de repressão sangrenta e implacável contra os partidários do ex-presidente e a sua fraternidade, declarada organização "terrorista", que fez mais de 1.400 mortos e cerca de 15.000 prisões em quase um ano.
Além disso, John Kerry pediu ao Egito que apoie a liberdade de imprensa, à véspera do pronunciamento da justiça no julgamento de jornalistas da Al-Jazeera acusados de apoiar os islamitas.
Neste caso, que provocou uma onda de protestos internacional, nove acusados, entre eles três jornalistas do canal do Qatar, assim como outras 11 pessoas julgadas à revelia, correm o risco de serem condenadas entre 15 e 25 anos de prisão, segundo um advogado de defesa.
Dezesseis egípcios são acusados de pertencer a uma organização terrorista, a Irmandade Muçulmana, do presidente islamita deposto, Mohamed Mursi, e quatro estrangeiros por terem difundido "informações falsas" para apoiar a confraria.
Os acusados — entre os quais figura o jornalista egípcio-canadense Fadel Fahmy, seu colega australiano Peter Greste e o egípcio Baher Mohamed, que estão presos há 160 dias — denunciam em cada audiência um julgamento injusto e político, assim como provas "totalmente fabricadas".
Por ocasião da visita de Kerry, que deve durar apenas algumas horas, as autoridades americanas anunciaram que Washington havia desbloqueado 1276 milhões de reais de ajuda para o Egito há 10 dias após o sinal verde do Congresso.
Essa parcela representa uma parte substancial da ajuda dos Estados Unidos ao seu grande aliado árabe — R$ 3,35 bilhões, incluindo aproximadamente 2,9 em ajuda militar — que foi congelada em outubro, com o governo americano exigindo reformas democráticas após a destituição e prisão pelo Exército, em julho de 2013, do presidente islamita Mohamed Mursi, o primeiro chefe de Estado eleito democraticamente país.
Em abril, as autoridades americanas haviam anunciado a retomada da ajuda, incluindo a entrega de 10 helicópteros Apache para apoiar o Exército egípcio, que enfrenta ataques quase diários reivindicados por insurgentes jihadistas na península desértica do Sinai. Mas os 10 helicópteros ainda estão nos Estados Unidos, segundo as autoridades.
Sisi foi eleito em maio com 96,9% dos votos, depois de eliminar toda a oposição da política, islâmica ou laica e liberal. Neste contexto, na semana passada, um novo governo tomou posse, formado principalmente por membros do governo interino liderado por Ibrahim Mahlab, que manteve sua posição como primeiro-ministro.
As autoridades americanas ressaltaram que Washington "reconhece que o Egito atravessa um período de transição muito difícil". "Os Estados Unidos querem fortemente que essa transição seja bem sucedida", acrescentaram.
No entanto, "estamos preocupados em ver que algumas táticas utilizadas para tratar as questões de segurança acabam por dividir" a sociedade. As autoridades "radicalizam de certo modo uma parte da sociedade egípcia, o que não é sustentável para a estabilidade global", considerou um líder americano.
"Nossas relações são antigas (...) e se apoiam em vários pilares. Elas passam por uma passagem difícil neste momento, é certo, e nós temos preocupações reais sobre o clima político" no Egito, considerou, citando a "falta de espaço para a oposição, os julgamentos em massa e as condenações à morte".
Em novembro, o Egito aprovou uma lei que restringe o direito de protestar e várias figuras da revolta de 2011, que derrubou o presidente Hosni Mubarak, estão agora na prisão no âmbito deste texto controverso.









