Internacional Juíza britânica adverte Assange por interromper fala de promotor

Juíza britânica adverte Assange por interromper fala de promotor

Pelas próximas 4 semanas, magistrados vão julgar possível extradição de fundador do Wikileaks aos EUA. Assange é acusado de espionagem

  • Internacional | Da EFE

Assange é julgado por espionagem

Assange é julgado por espionagem

Peter Nicholls/Reuters - 07.09.2020

A juíza britânica Vanessa Baraitser repreendeu nesta terça-feira (8) o australiano Julian Assange por ter interrompido em voz alta uma fala do promotor James Lewis, que representa a justiça dos Estados Unidos, e advertiu que o fundador do portal Wikileaks pode ser expulso da sala onde está sendo julgada sua possível extradição ao território americano.

Em "clara advertência", a magistrada avisou que Assange será "retirado do tribunal e processado em sua ausência" caso volte a interromper os depoimentos.

Baraitser afirmou que, ao longo deste julgamento, que levará cerca de quatro semanas, Assange "escutará muitas afirmações das quais discordará", mas que "esta não é a oportunidade" para rebatê-las, já que este processo trata apenas de uma eventual extradição para os EUA.

Rebatendo as acusações

No tribunal de Old Bailey, em Londres, o australiano, de 49 anos, contradisse as alegações do promotor, que questionava a segunda testemunha da defesa, o advogado Clive Stafford Smith.

Fundador da organização sem fins lucrativos Reprieve, Stafford Smith comentou que as revelações do Wikileaks foram "muito úteis" para impulsionar processos contra supostas violações aos direitos humanos e crimes de guerra cometidos pelos EUA, como assassinatos com drones no Paquistão e prisões ilegais em Guantánamo.

Assange interveio, indignado, quando Lewis disse que as acusações dos EUA ao solicitarem a extradição não se devem à publicação de informações confidenciais no Wikileaks, mas ao fato de o portal não ter apagado os nomes de fontes e informantes no Iraque e no Afeganistão, o que "colocou vidas em perigo".

Segundo Lewis, por este motivo, a declaração da testemunha ao enaltecer a atividade do portal "não é relevante" para o processo.

Stafford Smith prestou depoimento pessoalmente. Na segunda-feira, o historiador de jornalismo Mark Feldstein, da Universidade de Maryland, apoiou por videochamada a tese da defesa de que as acusações contra Assange são "politicamente motivadas".

A promotoria sustenta que as 18 acusações de espionagem e intromissão informática contra Assange são um caso de "criminalidade pura".

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