Internacional Junta Militar bloqueia internet em Mianmar para impedir protestos

Junta Militar bloqueia internet em Mianmar para impedir protestos

Milhares de pessoas se manifestavam em Yangon neste sábado (6) contra o golpe realizado pelo exército

  • Internacional | Da EFE

Polícia de Mianmar intensifica prisões e tenta conter protestos pelo país

Polícia de Mianmar intensifica prisões e tenta conter protestos pelo país

Reuters/Stringer

A junta militar de Mianmar ordenou neste sábado (6) o bloqueio da internet em todo o país enquanto milhares de pessoas se manifestavam em Yangon contra o golpe de estado realizado pelo exército na última segunda-feira (1).

Todas as operadoras receberam ordens do governo para cortar o acesso à conexão de dados sob o pretexto de impedir a disseminação de notícias falsas e para assegurar a estabilidade e o interesse da nação. A informação é de uma das empresas, a Telenor Myanmar, que se pronunciou por meio de um comunicado.

O portal de monitoramento "Netblocks" publicou que a rede em Mianmar está quase completamente bloqueada. Depois das 12h (local, meia-noite em Brasília), a conexão em todo o país caiu para 16% dos níveis habituais, com tendência para baixas ainda maiores.

Manifestação em massa contra os militares

O bloqueio do acesso à internet coincidiu neste sábado com a primeira manifestação de massa nas ruas de Rangun, a antiga capital e cidade mais populosa do país, em rejeição à revolta liderada pelo chefe do exército, Min Aung Hlaing.

Milhares de pessoas marcharam pacificamente por pelo menos seis regiões da cidade com gritos e slogans a favor da democracia, da libertação dos detidos pelos militares e contra a ditadura.

Muitos dos presentes usavam camisetas vermelhas ou cachecóis que se identificam com o partido da Liga Nacional para a Democracia (NLD), liderado pela ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, que venceu as eleições de novembro e cujos resultados não foram reconhecidos pelos militares.

Enquanto os manifestantes faziam convocações nas redes sociais para que mais pessoas se juntassem à marcha, a internet parou de funcionar, embora as linhas telefônicas continuem a funcionar por enquanto.

Apesar da forte presença policial, um correspondente da Agência EFE no local confirmou que as forças de segurança não confrontaram os manifestantes, que começaram a se dispersar no meio da tarde.

Também houve pequenas manifestações espontâneas contra o governo militar em outras cidades como Mandalay, a segunda mais populosa do país.

Censura às redes e prisão de estrangeiro

Os militares já haviam tentado, desde o golpe, bloquear o acesso ao Twitter e ao Facebook, este último com mais de 22 milhões de usuários em Mianmar, para tentar derrubar os diversos movimentos de desobediência civil, liderados por médicos e professores.

"Se eles pensam que isso silenciará os crescentes apelos dentro do país para reverter sua tomada ilegal do poder, estão errados. O povo birmanês deixou claro: eles exigem o retorno da democracia", diz o chefe do grupo de parlamentares da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) para os Direitos Humanos, o malaio Charles Santiago.

Enquanto isso, a polícia continua a prender pessoas próximas aos laços de Suu Kyi. A Ministra de Relações Exteriores da Austrália, Marise Payne, confirmou a prisão de um australiano, identificado como Sean Turnell, que serve como conselheiro econômico da vencedora do Nobel e que seria o primeiro estrangeiro preso desde o golpe.

Suu Kyi está bem e vacinada

Um porta-voz da LND confirmou ontem que Suu Kyi está com boa saúde, pois permanece em prisão domiciliar em sua residência em Naipyidó, a capital fundada pelos militares e que os especialistas afirmam ter sido projetada como um refúgio para o comando militar.

A líder deposta do governo de Mianmar recebeu a primeira dose da vacina contra a covid-19 neste sábado, de acordo com o jornal The Irrawaddy.

Suu Kyi, que já passou 15 anos em prisão domiciliar durante a ditadura birmanesa, é acusada de crime de importação ilegal de aparelhos telefônicos, pelo qual enfrenta uma pena máxima de até três anos de prisão.

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