Kremlin rejeita alegação de que envenenou Navalny; viúva afirma que a verdade veio à tona
O Estado russo afirma que a morte foi por causas naturais, mas as análises do corpo confirmam a presença de uma toxina
Internacional|Andrew Osborn, da Reuters
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O Kremlin rejeitou nesta segunda-feira (16) categoricamente, as acusações de cinco países europeus de que o Estado russo teria matado Alexei Navalny há dois anos, usando toxina de sapos venenosos, mas sua viúva disse que a verdade finalmente foi comprovada.
Navalny, crítico doméstico mais proeminente do presidente Vladimir Putin, morreu em 16 de fevereiro de 2024. O incidente aconteceu na colônia penal Lobo Polar, ao norte do Círculo Polar Ártico, cerca de 1.900 km a nordeste de Moscou. Ele tinha 47 anos.
Sua morte, que o Estado russo afirmou ter sido por causas naturais, ocorreu um mês antes de Putin ser reeleito para um quinto mandato em uma votação esmagadora que as nações ocidentais consideraram não ter sido livre nem justa, devido à censura e à repressão aos oponentes.
Grã-Bretanha, França, Alemanha, Suécia e Holanda afirmaram no sábado (14) que as análises das amostras do corpo de Navalny confirmaram “conclusivamente” a presença de epibatidina, uma toxina encontrada em sapos venenosos da América do Sul e que não é encontrada naturalmente na Rússia.
“Navalny morreu enquanto estava preso, o que significa que a Rússia tinha os meios, o motivo e a oportunidade para administrar esse veneno a ele”, afirmaram.
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O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou as alegações. “Naturalmente, não aceitamos tais acusações. Discordamos delas. Consideramos que são tendenciosas e não se baseiam em nada. E as rejeitamos veementemente”, disse Peskov aos repórteres.
Resultados dos testes
Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, disse anteriormente que Moscou forneceria comentários relevantes se e quando os países que fizeram as alegações divulgassem e detalhassem os resultados dos testes.
Até então, a agência de notícias estatal TASS citou suas palavras, dizendo que as acusações eram “apenas propaganda destinada a desviar a atenção das questões urgentes do Ocidente”.
O governo britânico se recusou a responder a uma pergunta da Reuters sobre como as amostras do corpo de Navalny foram obtidas ou onde foram avaliadas.
A declaração conjunta europeia fez referência ao envenenamento com Novichok em 2018, em Salisbury, Inglaterra, do ex-agente russo Sergei Skripal e sua filha, sugerindo que Moscou tem histórico de usar venenos mortais contra seus inimigos.
A Rússia nega envolvimento no incidente de Salisbury. Também rejeita as alegações britânicas de que Moscou matou o dissidente Alexander Litvinenko em Londres em 2006, colocando polônio-210 radioativo em seu chá.
Um grupo de 15 países, em sua maioria europeus, mas que também inclui a Austrália, Nova Zelândia e Canadá, emitiu uma nova declaração na segunda-feira (16), reiterando suas exigências para que a Rússia conduza uma investigação transparente sobre a morte de Navalny.
A declaração, publicada no site do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, afirmou que os defensores dos direitos humanos russos estavam dando continuidade ao legado de Navalny e pediu a Moscou que libertasse “todos os presos políticos”.
As alegações sobre a toxina do sapo-flecha foram feitas na Conferência de Segurança de Munique, antes do segundo aniversário da morte de Navalny, na segunda-feira (16).
Yulia Navalnaya, sua viúva, alegou desde o início que seu marido havia sido assassinado pelo Estado russo. Ela disse na segunda-feira (16) que as conclusões forneceram as provas necessárias para apoiar sua posição.
“Dois anos. Alcançamos a verdade e também alcançaremos a justiça um dia”, escreveu Navalnaya no X acima de uma fotografia do seu falecido marido sorrindo.
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