Lama e neve põem à prova nova geração de robôs de guerra da Ucrânia; entenda
Clima impõe desafio aos veículos não tripulados desenvolvidos para transportar equipamentos, atacar inimigos e retirar soldados feridos
Internacional|Do R7
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A expansão do uso de robôs terrestres pelas Forças Armadas da Ucrânia terá um novo desafio nos próximos meses: enfrentar a lama do outono e as baixas temperaturas do inverno. Desenvolvidos para transportar equipamentos, levar suprimentos, coletar informações, atacar posições inimigas e retirar soldados feridos, os veículos não tripulados precisam demonstrar que conseguem operar em condições climáticas adversas.
Em reportagem publicada pelo Business Insider, o oficial ucraniano Oleksandr Yabchanka, responsável pelos sistemas robóticos do batalhão Lobos Da Vinci, afirmou que a frota aumentou e passou por avanços tecnológicos desde o último inverno. Segundo ele, o período de chuva e a transformação do solo em lama permitirão avaliar o desempenho dos equipamentos em comparação com a temporada anterior.
“Operar no verão em terreno seco é uma coisa, mas no outono — quando o solo vira lama e a movimentação se torna significativamente mais difícil — é outra bem diferente”, disse Yabchanka ao veículo.
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Expansão dos robôs no campo de batalha
Ao longo de 2026, a Ucrânia acelerou a incorporação de veículos terrestres não tripulados, conhecidos pela sigla UGV. A estratégia é ampliar o uso de máquinas em atividades que expõem os militares a riscos elevados, reduzindo a necessidade de enviar soldados a determinadas áreas da linha de frente.
Em março, o Ministério da Defesa ucraniano informou que havia contratado mais de 20 mil sistemas robóticos terrestres desde o início do ano. O volume representava quase o dobro do total previsto para todo o ano de 2025.
De acordo com Yabchanka, os equipamentos já se tornaram parte das operações de diversas unidades posicionadas na linha de contato com as forças russas. Além de transportar munições e outros materiais, eles podem ser utilizados em missões de reconhecimento, apoio ao combate e evacuação de feridos.
A tecnologia também passou por mudanças. Fabricantes ampliaram o alcance dos veículos, desenvolveram estruturas mais resistentes, instalaram rodas maiores e esteiras reforçadas e incorporaram novos armamentos e recursos de autonomia.
Como lama, neve e frio afetam os equipamentos?
O frio e a umidade representam dificuldades para diferentes tipos de tecnologia militar. Nos robôs terrestres, as baixas temperaturas podem reduzir o desempenho das baterias, diminuindo a autonomia e a força disponível para deslocamentos e transporte de cargas.
A lama também representa um obstáculo. O solo encharcado pode prender rodas e esteiras, obrigando os veículos a reduzir a velocidade ou até interromper o deslocamento. A neve provoca dificuldades semelhantes, enquanto o gelo diminui a aderência e aumenta o risco de os equipamentos perderem a tração.
Outro problema envolve os sistemas de observação. A condensação, a neve e a sujeira podem prejudicar câmeras e sensores, comprometendo a capacidade de identificar obstáculos e acompanhar o ambiente ao redor.
As condições também podem tornar os robôs mais vulneráveis a ataques. Em um campo de batalha marcado pela presença constante de drones, um veículo que fica preso na lama ou na neve pode se transformar em um alvo. Além disso, a redução da vegetação durante o inverno diminui as possibilidades de esconder os equipamentos.
Instrutores militares da Otan que acompanham o treinamento de tropas ucranianas também levantaram dúvidas sobre o desempenho dos veículos em regiões com neve intensa. Ao Business Insider, o brigadeiro norueguês Atle Molde questionou se os equipamentos seriam capazes de operar em locais como o norte da Noruega, onde a neve pode atingir grandes profundidades.
A Ucrânia já desenvolveu soluções para manter outros equipamentos militares em funcionamento durante o frio. No caso dos drones aéreos, militares e fabricantes passaram a proteger câmeras contra a condensação, reforçar cabos, adaptar baterias para temperaturas baixas e utilizar bolsas térmicas para conservar a energia dos aparelhos.
Algumas unidades também improvisaram maneiras de aquecer as baterias, inclusive com o uso de palmilhas térmicas. As experiências acumuladas com os drones podem servir de referência para os ajustes necessários nos veículos terrestres.
Segundo o Business Insider, fabricantes ucranianos mantêm contato frequente com os militares que utilizam os equipamentos na linha de frente. As informações recebidas das tropas permitem que os engenheiros façam alterações nos projetos, em alguns casos semanalmente.
Yabchanka considera essa comunicação direta uma vantagem para o desenvolvimento dos sistemas. As mudanças podem ocorrer tanto por meio do contato entre soldados e empresas quanto por canais centralizados de desenvolvimento e aquisição.
Apesar dos obstáculos, algumas unidades esperam que os robôs sejam ainda mais úteis durante o inverno. Com a lama, a neve e o frio, missões de abastecimento e retirada de feridos se tornam particularmente perigosas para os soldados. Mesmo que as máquinas tenham limitações para circular nessas condições, sua utilização pode evitar que militares sejam expostos aos mesmos riscos.
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