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Leilão que venderia um Caravaggio por menos de R$ 10 mil é cancelado

Espanha agiu para impedir que quadro possivelmente pintado pelo artista deixe o país, como aconteceu com outra obra nos anos 1970

Internacional|Da EFE

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Possível obra de Caravaggio seria leiloada na Espanha por menos de R$ 10 mil
Possível obra de Caravaggio seria leiloada na Espanha por menos de R$ 10 mil

A Espanha bloqueou o leilão em Madri agendado para esta quinta-feira (8) na casa de leilões Ansorena de uma pintura sob a suspeita de se tratar de um verdadeiro Caravaggio, segundo informações do jornal italiano La Repubblica.

O ministro da Cultura espanhol, José Manuel Rodríguez-Uribes, confirmou hoje, em Madri, que foi tomada a decisão de evitar a sua possível saída da Espanha e que ontem a Direção-Geral de Belas Artes do Ministério e o Conselho de Qualificação, Valorização e Exportação de Ativos se reuniram com urgência para declarar o quadro como não exportável.

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A Comunidade de Madri também iniciou, a pedido do Ministério, a declaração do quadro como Bem de Interesse Cultural (BIC). "Com esta dupla garantia garantimos que ele permanece na Espanha e que as coisas podem ser bem feitas", explicou Rodríguez-Uribes.

O ministro espanhol reconheceu que o governo queria agir rapidamente para impedir que o quadro deixasse o país, como aconteceu com outro Caravaggio nos anos 1970, que foi leiloado e agora está em Cleveland (Estados Unidos).

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"Em todo caso, é uma pintura muito valiosa, espero que seja um Caravaggio", destacou Rodríguez-Uribes.

Segundo o La Reppublica, a pintura é um "Ecce Homo" do século XVII, um óleo sobre tela, medindo 111 por 86 centímetros e originalmente atribuído ao círculo de José de Ribera e estimado em apenas 1,5 euros, cerca de R$ 9,9 mil.

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No entanto, segundo os especialistas consultados pelo jornal, este Cristo "tem todas as aparências de ser um Caravaggio descoberto, e pode abrir um novo capítulo sensacional na história do pintor maldito, que morreu aos 39 anos, no dia 18 de julho de 1610, na costa entre Lácio e Toscana, à espera de ser perdoado da condenação por homicídio".

O jornal publica o depoimento de María Cristina Terzaghi, uma das primeiras estudiosas do mestre do século XVII, que veio à capital espanhola para ver a obra e não tem dúvidas de que pertence ao pintor cujo nome verdadeiro era Michelangelo Merisi.

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Essa professora de História da Arte Moderna da Universidade Roma Tre explica que "o manto roxo com que Cristo está vestido tem o mesmo valor composicional que o vermelho de Salomé del Prado em Madri", e que "esta obra mantém um vínculo profundo com as pinturas feitas no início da estadia napolitana".

O jornal explica que a escolha da Espanha "de bloquear o leilão é uma prova clara de que a nova atribuição é amplamente compartilhada".

Ele afirma que o ponto de partida se baseia no fato que a tela está na Espanha há quase quatro séculos e retrata o mesmo tema já abordado por Caravaggio. Como apontam os documentos, sabe-se que em Roma, em 1605, Caravaggio pintou um Ecce Homo para o cardeal Massimo Massimi.

No jornal "Corriere della Sera", o crítico de arte Vittorio Sgarbi explica que presumiu que se tratava de um Caravaggio e que propôs comprá-lo por centenas de milhares de euros para poder trazê-lo de volta à Itália, mas que ontem, ele soube que a pintura havia sido removida.

O "Corriere della Sera" publica que a casa de leilões declarou que o lote foi retirado "porque a peça precisa ser verificada e estudada mais profundamente".

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