Internacional Líder do Estado Islâmico está morto. A ideologia que criou o grupo, não

Líder do Estado Islâmico está morto. A ideologia que criou o grupo, não

Dias após o suicídio do fundador, o grupo terrorista já encontrou um novo líder. A morte do chefe nem sempre significa o fim de uma organização

Morte do líder do Estado Islâmico não representa o fim do grupo terrorista

Morte do líder do Estado Islâmico não representa o fim do grupo terrorista

ISLAMIC STATE VIDEO/EPA - EFE - 03.9.2014

O homem mais procurado e temido do mundo, Abu Bakr al-Baghdadi, o fundador do Estado Islâmico está morto. O líder do grupo, conhecido pela crueldade extrema e que conseguiu conquistar um território do tamanho da Grã Bretanha, se matou enquanto fugia de militares dos EUA na madrugada do domingo (27).

Durante a semana, os Estados Unidos anunciaram que mataram também o braço direito de al-Baghdadi, Abu al-Hassan al-Muhajir. Mesmo com o golpe duplo, o grupo anunciou na quinta-feira (31) que já havia escolhido um novo líder, Abu Ibrahim al Qurayshi.

Agora que o líder está morto e o grupo está aceitando uma nova liderança, o que pode acontecer?

Corta-se a cabeça, não a ideologia

Para o pesquisador sobre Ásia do Sul e Oriente do Instituto da Universidade de Defesa Nacional para Estudos da Estratégia dos Estados Unidos, Thomas F Lynch III, a ideologia que fundamentava o Estado Islâmico não morre com o líder.

“A estrutura do Estado Islâmico provavelmente vai murchar e desaparecer depois da morte de Baghdadi, mas a ideologia do jihadismo salafi não vai terminar. Líderes do mundo islâmico e do oeste precisam continuar vigilantes e ativos para combater os novos e ainda perigosos sucessores do Estado Islâmico de Baghdadi, assim como a Al-Qaeda”, diz.

O Estado Islâmico não é o único grupo terrorista que existe na região, e combatentes podem acabar tentando se aliar a outras organizações ou criar uma nova. “A narrativa extremista continua resiliente”, diz.

“É muito provável que alguns membros da liderança do Estado Islâmico se juntem à Al-Qaeda. Outros vão se unir a outros grupos jihadistas pelo mundo islâmico. Outros ainda pode criar grupos locais perigosos no Iraque e na Síria, tentando organizar emirados ou proto-califados em espaços não-governados. E alguns dos membros originais vão continuar tentando radicalizar seguidores e incitar a violência pela internet e pelas redes sociais”, conclui.

Lynch explica que não há uma previsão do que pode acontecer com o grupo depois da morte do fundador e que o caso varia muito de grupo para grupo e da figura e poder do líder dentro dela.

“Historicamente, na maior parte dos casos, a decapitação do líder de um grupo terrorista levou a um aumento da violência a curto prazo e disputas pela liderança. O grupo não desaparece imediatamente."
Thomas F Lynch III, Universidade de Defesa Nacional para Estudos da Estratégia dos Estados Unidos

“Historicamente, na maior parte dos casos, a decapitação do líder de um grupo terrorista levou a um aumento da violência a curto prazo e disputas pela liderança. O grupo não desaparece imediatamente."

"A longo prazo, a morte de um líder terrorista pode funcionar de maneiras opostas. Se o líder morto era carismático, absolutista e uma figura dominante com uma reivindicação insubstituível de capacidade de organização ou título de liderança, então é improvável que o grupo terrorista sobreviva como uma entidade individual. Se, caso contrário, o grupo é baseado em uma ideologia e um propósito com uma narrativa durável e uma base de apoio sustentável, então é capaz que o grupo evolua e continua sendo uma entidade terrorista”, analisa Lynch.

A figura do Baghdadi

Forças da Síria Democrática em Baghouz

Forças da Síria Democrática em Baghouz

Murtaja Lateef / EFE - 19.2.2019

Para ser considerado líder do Estado Islâmico, o candidato tinha que vir de alguma tribo com ligação direta ao profeta Maomé. Baghdadi tinha a ancestralidade, como explica o jornal americano The New York Times.

Extremamente religioso desde muito pequeno, Baghdadi conseguiu criar um grupo violento baseado nos princípios mais radicais do islamismo. Propagando as ideias extremistas pelas redes sociais, o Estado Islâmico rapidamente conseguiu angariar milhares de seguidores, que viajavam dos mais diversos cantos do mundo para se unir à guerra.

“Baghdadi era insistente que seu califado devia ser físico e hierárquico, e não apenas virtual”, explica o especialista.

A morte do líder foi o golpe mais recente sofrido pelo grupo. Anteriormente, o território conquistado se reduziu drasticamente até sobrar apenas um vilarejo, Baghouz, e milhares de soldados foram capturados ou mortos pelas forças aliadas na luta contra a chamada guerra ao terror.

“Sua morte agrava essa perda territorial, já que Baghdadi não tem um sucessor como califa e ninguém tem sua ressonância religiosa. Além disso, os esforços ambiciosos, formais e baseados em princípios religiosos de estabelecer um califado islâmico físico que só responde a um califa acabou com a morte do líder”, diz Lynch.