Líder oposicionista é condenado na Rússia; Putin é chamado de ditador
Internacional|Do R7
Por Gabriela Baczynska
KIROV, Rússia, 18 Jul (Reuters) - O líder oposicionista russo Alexei Navalny foi condenado nesta quinta-feira a cinco anos de prisão, uma punição inesperadamente rigorosa que, segundo seus apoiadores, prova o caráter ditatorial do governo de Vladimir Putin.
Navalny, ativista anticorrupção responsável pelos maiores protestos contra Putin desde que ele assumiu o poder, em 2000, abraçou sua mulher, Yulia, e sua mãe, apertou a mão do seu pai e então lhes entregou seu relógio de pulso, antes de ser levado embora algemado.
"Vergonha! Vexame!", gritavam os manifestantes em frente ao tribunal em Kirov, 900 quilômetros a nordeste de Moscou. Alguns simpatizantes dele choravam, outros manifestavam choque e indignação.
A promotoria havia pedido pena de seis anos pelas acusações de organizar um esquema para desviar pelo menos 16 milhões de rublos (494 mil dólares) de uma madeireira quando ele dava assessoria ao governador da região de Kirov, em 2009.
A condenação impedirá Navalny de disputar a Presidência russa em 2018 ou a prefeitura de Moscou em setembro, conforme ele planejava. Alguns analistas esperavam que ele ganhasse direito a sursis, de modo a ficar em liberdade, mas com atividade política limitada.
Os Estados Unidos e a União Europeia manifestaram preocupação com a sentença, dizendo que ela gera dúvidas sobre o Estado de direito na Rússia e o tratamento dispensado a rivais de Putin. A Casa Branca disse que a condenação foi parte de uma "perturbadora tendência voltada para suprimir a dissidência".
Milhares de russos protestaram em Moscou e em São Petersburgo até tarde da noite e a polícia deteve dezenas de pessoas em ambas as cidades, mas não houve grandes confrontos.
Em uma última mensagem ainda na corte, Navalny, de 37 anos, se referiu a Putin como um "sapo" que abusou das receitas do petróleo vastas da Rússia para permanecer no poder e pediu a seus partidários para avançar com a sua campanha.
"Ok, não sintam falta de mim. Mais importante, não fiquem ociosos. O sapo não vai sair do oleoduto por conta própria", escreveu ele no Twitter.
Pelo menos 3 mil pessoas se reuniram perto do Kremlin, em Moscou, sob forte presença policial, bloqueando intermitentemente as principais ruas e gritando "Vergonha!" e "Putin é um ladrão!"
(Reportagem adicional de Lidia Kelly, Maria Tsvetkova e Alexei Anishchuk, em Moscou; e de Liza Dobkina, em São Petersburgo)













