Internacional Lukashenko garante que não deixará presidência de Belarus

Lukashenko garante que não deixará presidência de Belarus

Presidente afirma que foi eleito e que só ele pode defender o país. Protestos contra reeleição foram reprimidos violentamente e oposição foi presa

Lukashenko diz que não vai deixar o poder

Lukashenko diz que não vai deixar o poder

Nikolai Petrov/BelTA/Handout via REUTERS - 8.9.2020

O presidente de Belarus, Aleksandr Lukashenko, deixou voltou a afirmar nesta quinta-feira (10) que não abrirá mão do poder, pois ele, segundo declarou, não foi eleito para abandonar o cargo.

"Deixe-me dizer-lhe como homem, para ser muito claro. Meus críticos costumam dizer: ele (para Lukashenko) não quer deixar o poder. Não foi para isso que as pessoas me escolheram", disse o mandatário, ao apresentar o novo procurador-geral, Andriy Shved, de acordo com a agência oficial BelTA.

"Não nos é dado o poder para pegá-lo, jogá-lo fora e entregá-lo", disse Lukashenko, após um mês de intensos protestos da oposição e de cidadãos nas ruas do país exigindo sua renúncia.

O líder autoritário já afirmou esta semana em entrevista à imprensa russa que "só ele" podia agora defender Belarus.

"Farei isso com ou sem vocês. Isso é com vocês, mas vocês não vão me dobrar. Se quiserem ficar ao meu lado e salvar o país, façam, se não quiserem, não traiam", afirmou o presidente aos promotores presentes na apresentação de Shved.

Lukashenko admitiu que "mais cedo ou mais tarde outros tomarão o poder, mas terá de ser pela lei e não por pressão nas ruas", insistiu o presidente, no cargo há 26 anos.

Reeleição gerou protestos

O presidente de Belarus, que venceu as eleições presidenciais do mês passado com 80,1% dos votos, segundo a Comissão Eleitoral Central, resultado considerado fraudulento pela oposição e por grande parte da comunidade internacional, sugeriu também a necessidade de uma maior dureza da Procuradoria perante os protestos nas ruas.

As forças de segurança do regime de Lukashenko reprimiram duramente as manifestações pacíficas nas últimas semanas, com milhares de detenções, muitas vezes com uso de violência, e em meio a denúncias de maus-tratos e até tortura.

Além disso, a maioria dos líderes da oposição está exilada ou detida.

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