Internacional Macron tem maioria absoluta ameaçada após 1º turno das eleições legislativas na França

Macron tem maioria absoluta ameaçada após 1º turno das eleições legislativas na França

Aliança centrista do presidente empatou com frente de esquerda e pode perder vantagem na Assembleia Legislativa na próxima votação em 19 de junho

AFP

Resumindo a Notícia

  • Aliança Juntos, de Macron, obteve 25,75%, 21.442 votos a mais que a frente de esquerda
  • A abstenção chegou a 52,49% e atingiu um novo recorde
  • Macron precisa de maioria absoluta para aplicar sem problemas seu programa de linha liberal
  • Para a esquerda, Macron foi porque franceses quiseram impedir a vitória de Marine Le Pen
O presidente francês Emmanuel Macron recebe convidados no Palácio do Eliseu em Paris

O presidente francês Emmanuel Macron recebe convidados no Palácio do Eliseu em Paris

Benoit Tessier/Reuters - 10.06.2022

O primeiro turno das eleições legislativas da França neste domingo (12) representou um duro revés para o presidente Emmanuel Macron, cuja aliança centrista empatou com a frente de esquerda e pode perder sua maioria absoluta na Assembleia Nacional após a votação de 19 de junho.

A aliança Juntos, de Macron, obteve 25,75%, ou seja 21.442 votos a mais que a Nova União Popular Ecológica e Social (Nupes), que recebeu 25,66%, de um universo de 23,3 milhões de eleitores.

A abstenção atingiu um novo recorde, a 52,49%, superando o índice registrado em 2017 (51,3%), o que evidencia o desinteresse dos franceses por uma votação que foi ofuscada pela eleição presidencial.

"É um alerta muito sério para Macron, são sete pontos a menos que em 2017 e a maioria [absoluta] não é uma certeza", disse na rede France 2 o cientista político Brice Teinturier, que acredita que os franceses buscaram "reequilibrar" a eleição presidencial.

Essas eleições são cruciais para Macron, reeleito por mais cinco anos em 24 de abril, que precisa de maioria absoluta para poder aplicar sem problemas seu programa de linha liberal, como alterar a idade de aposentadoria de 62 para 65 anos.

Mas, pela primeira vez em 25 anos, os principais partidos de esquerda - ecologistas, comunistas, socialistas e França Insubmissa (esquerda radical) - decidiram concorrer em uma frente unida, liderada por Jean-Luc Mélenchon.

Para a esquerda, o presidente foi reeleito em abril não por seu programa, mas porque os franceses votaram nele para impedir que sua rival de extrema direita Marine Le Pen chegasse ao poder.

"O partido presidencial está derrotado", declarou neste domingo Mélenchon, que pediu mobilização na votação.

"Maioria forte e clara"

Esse político veterano de 70 anos, que por pouco não chegou ao segundo turno da eleição presidencial, com quase 22% dos votos, busca a revanche no que considera um "terceiro turno", com o objetivo de impedir Macron de aplicar seu projeto liberal.

O sistema eleitoral francês dificulta as projeções de resultados. Os eleitores devem escolher o deputado de sua circunscrição - 577 no total - em um sistema uninominal de dois turnos.

No entanto, de acordo com pesquisas de opinião, após a segunda votação, as forças que apoiam o presidente ganhariam entre 255 e 295 cadeiras, seguidas pela Nupes (150 a 210). A maioria absoluta é de 289 deputados.

"Somos a única força política capaz de obter maioria na Assembleia Nacional (...), temos uma semana para convencer", afirmou a primeira-ministra Elisabeth Borne, que pediu uma maioria "forte e clara" para os governistas.

A mobilização foi fundamental para o equilíbrio final de forças, especialmente quando os eleitores da esquerda radical e da extrema-direita são mais propensos a se abster.

Zemmour de fora

Após o segundo turno, o país saberá se Macron recebeu a confiança total dos franceses com mais de 289 deputados, se ele será obrigado a negociar com uma maioria relativa ou se terá que governar em "coabitação".

A França já conheceu mandatos com um governo e um presidente de tendências políticas diferentes. A última coabitação ocorreu de 1997 a 2002, quando o presidente conservador Jacques Chirac nomeou o socialista Lionel Jospin como primeiro-ministro.

Ao contrário da eleição presidencial, a extrema-direita - dividida - não chega para as legislativas em posição de força, além de seus redutos no norte e sudeste do país. E o partido de direita tradicional Os Republicanos (LR) joga seu futuro depois do péssimo resultado em abril.

De acordo com as pesquisas, o LR teria conquistado entre 33 e 80 cadeiras, seguido pelo Reagrupamento Nacional (RN), partido de Le Pen, que com entre 10 e 45 teria possibilidade de formar grupo parlamentar. O ultradireitista Éric Zemmour foi eliminado.

No caso de uma maioria relativa de Macron, o LR é visto como "determinante" para a aprovação de leis. Seu presidente, Christian Jacob, adiantou que, em caso de duelos entre o Juntos e a Nupes, defende não votar na “extrema esquerda”.

O partido de Macron tampouco pedirá uma votação generalizada num candidato da Nupes contra um da extrema direita, mas sim "caso a caso", já que "alguns candidatos da Nupes são extremistas".

Embora o poder aquisitivo, em um contexto de alta de preços devido à guerra na Ucrânia, apareça como a principal preocupação dos franceses, a campanha foi marcada por diversas polêmicas sobre a atuação da polícia, como a da final da Liga dos Campeões no Stade de France.

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