Maduro é reeleito presidente da Venezuela em eleição contestada

Votação foi marcada por boicote às urnas e abstenção de 54%. Segundo presidente do conselho eleitoral, processo "ocorreu com normalidade"

Nicolás Maduro e seus apoiadores após divulgação do resultado das eleições

Nicolás Maduro e seus apoiadores após divulgação do resultado das eleições

REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela anunciou, no último domingo (20), a reeleição do presidente Nicolás Maduro com 5.8 milhões de votos contra 1.8 milhões de seu principal oponente, Henri Falcón.

Votação e vitória contestadas

No poder desse 2013, Maduro terá mais 6 anos para governar um país severamente afetado pela crise econômica. Tanto a eleição como a vitória do presidente, no entanto, foram contestadas pela oposição, que denunciou irregularidades no processo eleitoral e promoveu o boicote às urnas, alegando que o resultado já estaria decidido de antemão. De acordo com o conselho eleitoral, 54% da população se absteve da votar.

Apesar das denúncias, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral Tibisay Lucena afirmou que o processo de votação “ocorreu com normalidade em todo o país”.

Comunidade internacional não reconhece resultado

Os Estados Unidos afirmaram que não reconheceriam o resultado das eleições e que as consideravam “simuladas”. Segundo o número 2 do Departamento de Estado John Sullivan, uma resposta ao processo eleitoral seria discutida em um encontro do G-20 em Buenos Aires, na segunda-feira. Na última sexta (19), Washington impôs sanções contra o segundo funcionário do Partido Socialista, Diosdado Cabello e acusou o governo Maduro publicamente de lucrar com o narcotráfico. Em um comunicado, Maduro chamou as medidas de "campanha sistemática de agressões"

A União Europeia e os principais países latino-americanos advertiram repetidas vezes que as condições do pleito eram injustas.

O presidente do Chile, Sebastian Pinera, criticou a votação de domingo. “As eleições na Venezuela não atendem aos padrões mínimos da verdadeira democracia”, disse à Reuters. “Como a maioria das principais nações democráticas, o Chile não reconhece essas eleições.”

O governo do Panamá fez o mesmo, dizendo que não reconheceria o resultado. Mas Cuba e El Salvador parabenizaram Maduro pela vitória.

Crise sem precedentes

Os venezuelanos foram às urnas em meio à tensão de um cenário econômico desolador.  Com 81,8% da população vivendo abaixo da linha da pobreza, o país sofre com a escassez de medicamentos, com o desabastecimento de comida e com a violência. Segundo o censo mais recente do INE (Instituto Nacional de Estatísticas) 4.091.717 venezuelanos migraram para outras nações durante a crise.