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Michael Bloomberg, prefeito de NY, revitalizou a cidade e deixará saudades

O multimilionário enfrentou o medo pós-11 de setembro e a crise financeiro de 2008

Internacional|Do R7, com agências internacionais

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Michael Bloomberg ficou conhecido como "o prefeito cosmopolita”
Michael Bloomberg ficou conhecido como "o prefeito cosmopolita”

Começa nesta terça-feira (5) a votação para eleger o próximo prefeito de Nova York, o centro financeiro e cultural dos EUA. Mas, para muitos nova-iorquinos será bastante difícil de substituir a atual administração da cidade, liderada desde 2002 pelo multimilionário Michael Bloomberg, de 71 anos.

A gestão do empresário da comunicação foi a que mais durou na história recente da cidade, e somará três mandatos seguidos entre 2002 ao fim de 2013, período em que a importância econômica e internacional de NY foi renovada.


Bloomberg foi eleito poucas semanas depois dos atentados de 11 de setembro em 2001. Durante sua posse, em 2002, o clima na cidade não poderia ser dos mais dramáticos. Para dificultar a administração municipal do centro financeiro dos EUA, alguns anos depois de assumir o poder, o milionário viu o país inteiro entrar numa crise econômica e conseguiu manter a prefeitura nos eixos, conquistando um terceiro mandato em 2009.

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Ao longo dos quase 12 anos de gestão, Bloomberg ganhou o apelido de “cosmopolita” por suas iniciativas inovadoras. Logo após assumir a gestão da cidade, ele se preocupou em garantir a segurança e a pujança econômica de NY. Aflito com o desânimo e medo coletivo que contaminou o ambiente após o 11 de setembro, o empresário tratou de reafirmar as políticas severas de combate ao crime do seu predecessor Rudolph Giuliani, conhecidas como “tolerância zero”, e correu para criar novos empreendimentos que dessem lugar aos estragos causados pelos ataques terroristas.

De fato, a postura de Bloomberg foi muito bem recebida pela cidade e resultou no renascimento da confiança do nova-iorquino, o que fez NY retomar seu papel de referência nacional e internacional.


Como resultado das políticas de segurança, a administração municipal anunciou recentemente o menor número de homicídios na cidade desde 1963, com apenas 419 assassinatos em 2012.

Bloomberg, ao fim do mandato, deixará não apenas ruas menos violentas, como também um ambiente de negócios mais positivo àquele que encontrou em 2002. No ano passado, pela primeira vez em 60 anos, mais pessoas chegaram à Nova York do que foram embora, expondo a vitalidade de cidade.


Além disso, de acordo com Elizabeth Unger, diretora de vendas do grupo Corcoran, líder em desenvolvimento imobiliário de luxo, o prefeito “permitiu investimentos sem precedentes e progressos espetaculares em comércio e infraestrutura”, algo que gerou o reaquecimento da indústria de construção na cidade. De acordo com o site CityRealty, o número de condomínios em Manhattan com apartamentos a preços maiores que 15 milhões de dólares passou de 33 em 2009 a 49 este ano.

Os projetos que visaram à saúde econômica de NY foram alimentados pela crise de 2008, quando Bloomberg se comprometeu a manter a cidade como locomotiva do país. Dentre as diversas iniciativas municipais criadas pelo líder, pode-se destacar um projeto lançado recentemente que busca aproveitar a presença de grandes atores do setor tecnológico, como Google, para se converter no Vale do Silício (sul de São Francisco) do leste dos Estados Unidos e o aumento das zonas de internet gratuita espalhadas no município.

O prefeito “cosmopolita”

O setor da administração municipal que mais sofreu alteração durante a gestão de Bloomberg foi o da saúde. O multimilionário atacou em diversas frentes para tornar o nova-iorquino mais saudável e criou projetos que vão desde o aumento da idade mínima para a compra de cigarros, até uma campanha para ajudar meninas jovens a aceitarem seus corpos. Nenhum outro prefeito atuou de forma tão intensa para garantir a qualidade de vida dos seus cidadãos.

De acordo com os dados do governo, hoje, a expectativa do nova-iorquino de vida é 35 meses maior do que era antes que Bloomberg assumiu o poder.

Foi o atual prefeito quem iniciou a proibição do fumo em bares e restaurantes da cidade, em 2003, uma decisão amplamente imitada em outros locais desde então. E recentemente, ele conseguiu aumentar a idade legal para a compra de cigarros de 18 para 21 anos. Os impostos municipais e estaduais também acrescentam US$ 5,85 ao maço, em Nova York, cujo preço final ao consumidor fica em pelo menos R$ 27 (US$ 12 ) para as marcas mais conhecidas.

Na gestão de Bloomberg foi lançada uma campanha para ajudar meninas a aceitarem o próprio corpo, a primeira do tipo nos Estados Unidos. Os alvos foram as garotas de 7 a 12 anos, que sofrem um bombardeio midiático que as fazem se sentir preocupadas com sua aparência física cada vez mais cedo, segundo a prefeitura.

O prefeito também atacou os altos índices de obesidade e diabetes entre os cidadãos da cidade. Dentre as iniciativas para conter o aumento dos “gordinhos”, Bloomberg tentou proibir a venda de refrigerantes acima de 470 mililitros em restaurantes de fast-food — conhecidos como tamanho “família”. Os tribunais decidiram que a medida era muito arbitrária, mas a atual gestão ainda tenta apelar contra a decisão.

Outra iniciativa polêmica do prefeito foi a disponibilização de bicicletas para os cidadãos se locomoveram e novas rotas urbanas para os veículos de duas rodas. Muitos dos motoristas que circulam pelas ruas de NY criticaram o projeto, já que passaram a disputar espaço no trânsito com mais um novo competidor, os ciclistas. Entretanto, a rede de bikes espalhadas pela cidade só cresceu desde o começo do ano — quando começou a funcionar — e hoje mais de 36 mil nova-iorquinos já têm uma assinatura anual do sistema.

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