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Milhares de sul-africanos fazem fila para se despedir de Mandela

Internacional|Do R7

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Por Tiisetso Motsoeneng

PRETÓRIA, 11 Dez (Reuters) - Milhares de pessoas fizeram fila nesta quarta-feira para se despedir de Nelson Mandela, cujo corpo estava exposto para visitação pública em Pretória, no edifício onde o herói antiapartheid tomou posse em 1994 como primeiro presidente negro da África do Sul.

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Várias pessoas desmaiaram no calor sufocante enquanto esperavam sua vez de passar diante do caixão de Mandela, depois que os parentes dele, dignitários estrangeiros e celebridades prestaram homenagem no imponente Union Buildings, no alto de uma colina com vista para a cidade.

À tarde, o calor do verão e a falta de acesso a água e banheiros levaram várias pessoas a desmaiar e os ânimos a se exaltar, enquanto as pessoas que lamentavam a morte dele esperavam na fila para sua última chance de ver o homem que consideram ser o pai da África do Sul democrática.

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"Há uma multidão de cinco mil pessoas aqui. Não há nenhum banheiro, nenhuma água, não há nada para o povo. As pessoas estão ficando irritadas e frustradas", disse Ronelle Johnson-Hoskins, que estava na fila desde a manhã.

As pessoas na multidão, algumas levando filhos pequenos às costas, também eram mandadas embora se não portassem um documento de identidade, disse Ronelle, algo que elas não sabiam que era necessário.

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O governo disse em um comunicado que documentos de identidade não eram necessários, e que o tempo-limite para quem queria ver o corpo de Mandela havia sido alcançado por volta de 15h30, o que significa que muitas centenas na fila iriam provavelmente ter de ir embora.

Qualquer percepção de que o governo conduziu mal a logística da visitação ao corpo de Mandela pode enfurecer ainda mais os sul-africanos, um dia depois de o presidente do país, Jacob Zuma, ter sido humilhado por vaias e zombaria na cerimônia em memória do líder antiapartheid, em Johanesburgo.

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O governo também está sendo criticado por usar um falso intérprete da linguagem de sinais no memorial, que fez gestos desarticulados, os quais indignaram surdos de todo o mundo.

Um porta-voz disse que o governo estava investigando o caso.

ÚLTIMA CHANCE

A morte de Mandela na semana passada, aos 95 anos, provocou uma onda de pesar e tristeza no país que ele comandou como presidente de 1994 a 1999, bem como celebrações e cerimônias de agradecimento por sua vida e conquistas.

Mais cedo, milhares de pessoas se amontoaram nas ruas enquanto o carro funerário preto carregando o caixão de Mandela abria caminho do principal hospital militar da capital para o edifício do governo. O caixão envolto na bandeira foi recebido por oficiais representando as várias armas das Forças Armadas.

"Este é um momento significativo para mim e meus filhos", disse a professora Thapelo Dlamini, de 48 anos, que estava havia duas horas esperando com os dois filhos para ver o cortejo passar.

Entre os primeiros a fazer fila para passar pelo caixão de Mandela estavam o cantor Bono, a modelo Naomi Campbell e o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe. F.W. de Klerk, o último presidente branco sul-africano que dividiu o Prêmio Nobel da Paz com Mandela, parecia enxugar uma lágrima quando o caixão passou.

Mandela será enterrado no domingo na vila rural de Qunu, onde passou parte da infância, na província do Cabo Oriental, 700 quilômetros ao sul de Johanesburgo.

A vila estava coberta por uma névoa espessa nesta quarta-feira, e a forte chuva havia deixado as estradas em lama, dificultando o acesso de veículos.

Mas enquanto o tempo poderia causar dores de cabeça para os organizadores do enterro de Mandela, muitos sul-africanos estavam sorrindo. A tradição diz que a chuva pesada é uma bênção, um sinal de um líder estimado sendo recebido por seus antepassados na vida após a morte.

(Reportagem adicional de Tosin Sulaiman e Stella Mapenzauswa)

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