Internacional Ministro de Israel viaja à França após escândalo de espionagem

Ministro de Israel viaja à França após escândalo de espionagem

Benny Gantz informará as autoridades sobre os últimos acontecimentos envolvendo a empresa desenvolvedora do Pegasus

AFP
Software Pegasus, da empresa NSO, é suspeito de ter sido utilizado para espionar autoridades

Software Pegasus, da empresa NSO, é suspeito de ter sido utilizado para espionar autoridades

JOEL SAGET / AFP

O ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, viajará esta semana à França para informar as autoridades deste país sobre os últimos acontecimentos a respeito da NSO, empresa de segurança cibernética israelense cujo software malicioso Pegasus é suspeito de ter sido utilizado para espionar o presidente Emmanuel Macron.

"Na quarta-feira (28), o ministro da Defesa, Benny Gantz, viaja à França para se reunir com a ministra das Forças Armadas, Florence Parly, e ter um diálogo sobre questões estratégicas e segurança", anunciou o ministério em um comunicado. "Vai informar a ministra sobre o tema NSO", acrescenta a nota.

"A ministra das Forças Armadas aproveitará esta reunião prevista há muito tempo para saber qual conhecimento o governo israelense possuía sobre as atividades dos clientes de NSO e quais dispositivos lançou — e quais serão lançados no futuro — para prevnir um mau uso dessas ferramentas", informaram no entorno Florence Parly.

O programa de espionagem Pegasus está no centro de um escândalo internacional que levou a chanceler alemã Angela Merkel a exigir mais restrições na venda de tais sistemas. A ONG Repórteres Sem Fronteiras exigiu uma moratória sobre o uso do software.

As organizações Forbidden Stories e Anistia Internacional obtiveram uma lista de 50 mil números de telefones, selecionados por clientes da NSO desde 2016 para uma possível vigilância, e a compartilharam com um consórcio de 17 veículos de imprensa, que divulgaram a existência da mesma na semana passada.

De acordo com as informações do consórcio de imprensa, Pegasus espionou o telefone de pelo menos 180 jornalistas, 85 ativistas dos direitos humanos e 14 chefes de Estado, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron, acusações que a NSO nega.

Acusado regularmente de fazer o jogo dos regimes autoritários, a NSO garante que o software Pegasus é usado apenas, em teoria, para obter informações sobre redes criminosas ou terroristas.

O Parlamento de Israel criou uma comissão para investigar as acusações de que alguns Estados "utilizaram de maneira indevida" o Pegasus para espionar personalidades, informou uma fonte do governo.

O Pegasus permite infiltrar em softwares e por isso é considerado um produto ofensivo de cibersegurança e, portanto, deve obter o sinal verde da Agência de Controle de Exportações Militares (DECA), vinculada ao ministério da Defesa, para ser vendido ao exterior.

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