Mistério: aviões decolam de país da Europa e pousam na ditadura do Irã, isolada do resto do mundo
Dois Airbus A340 partiram da Lituânia, desligaram os radares, mudaram a rota e aterrissaram no país dos aiatolás em fevereiro
Internacional|Do R7

Dois aviões Airbus A340, com capacidade para mais de 350 passageiros cada, decolaram da cidade de Siauliai, na Lituânia, com destino ao Sri Lanka e Filipinas no mês de fevereiro. Porém, ao invés de pousarem no sul da Ásia, ambos desviaram a rota, desligaram os radares e interromperam a comunicação com outras aeronaves ao entrar no território do Irã.
O site de dados de aviação ch-aviation informou que um avião pousou no aeroporto de Mehrabad, em Teerã, capital do Irã, e outro no aeroporto de Konarak, em Chabahar, no sul do país. Embora tenha ocorrido há meses, a história só foi divulgada na semana passada pelo site especializado em economia lituano vz.lt.
Os dois aviões contrabandeados pertencem à empresa de leasing da Gâmbia Macka Invest — um terceiro avião, da mesma proprietária, estava pronto para decolar, mas foi impedido pelas autoridades locais de partir.
O diretor do aeroporto de Siauliai, Aurelija Kuezada, afirmou: “O avião estava preparado para voar para as Filipinas, mas nós presumimos que a aeronave também poderia ter pousado no Irã”. Em seguida, disse que “nada poderia prevenir isso [o furto dos aviões], então não o deixamos partir quando descobrimos que o primeiro avião havia pousado no Irã.”
Irã e o contrabando de aviões
A emissora pública de notícias da Lituânia afirmou, na última quinta-feira (27), que o Irã “contrabandeou” os aviões e que a propriedade deles foi reivindicada pela empresa indiana Mahan Air.
A razão para o Irã furtar os aviões está ligada às atuais sanções econômicas impostas contra o país pelos Estados Unidos.
A nação dos aiatolás está isolada do mundo por causa do programa nuclear que desenvolve, de olho em armas de destruição em massa. Essa política impede o Irã de comprar novos aviões.
O chefe da estatal de serviços de navegação da Lituânia, Oro Navigacija, disse ao site vz.lt que nenhum dos três aviões havia levantado quaisquer suspeitas anteriormente. Acrescentou ainda que a movimentação fora do espaço aéreo lituano ocorria dentro das regras dos prestadores de serviços de navegação de outros países.
O incidente teria causado grande preocupação entre as autoridades lituanas.
Essa não foi a primeira vez que o Irã “roubou” aviões. Em dezembro de 2022, quatro Airbus A340, que partiram de Johanesburgo, na África do Sul, e tinham o Uzbequistão como destino, mudaram a rota e foram parar no Irã.
Naquela ocasião, o transponder (radar de localização do avião) também foi desligado. O jornal Tehran Times publicou, em 2022, que o Irã precisava de 550 aeronaves comerciais. Mas as sanções o impedem de comprar aviões como o A340, que custa cerca de R$ 850 milhões.













