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Monsenhor preso faz revelações à Justiça sobre contas secretas do Vaticano

Internacional|Do R7

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Por Philip Pullella

ROMA, 16 Set (Reuters) - O departamento do Vaticano encarregado do pagamento de salários e da administração dos bens da Igreja agiu de modo inadequado, como um banco paralelo, concedendo contas correntes para pessoas de fora, disse a promotores italianos um prelado que está preso e trabalhou lá por 22 anos.

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As mais recentes acusações de irregularidades surgem num momento em que o papa Francisco luta para combater anos de escândalos financeiros envolvendo o banco do Vaticano, que é investigado há bastante tempo por não cumprir os padrões internacionais contra evasão de impostos e acobertamento de fontes ilegais de rendimentos.

As alegações contra a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (Apsa) representam uma nova dor de cabeça para o papa, que designou duas comissões para aconselhá-lo sobre como limpas as finanças do Vaticano.

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De acordo com a transcrição de um interrogatório de um suspeito-chave, como parte de uma ampla investigação realizada por magistrados italianos que examinam suposta lavagem de dinheiro por meio do banco do Vaticano, autoridades da Apsa permitiram que a instituição fosse usada por pessoas de fora, apesar de isso contrariar os regulamentos.

O prelado, monsenhor Nunzio Scarano, de 61 anos, está sendo investigado por magistrados em sua cidade natal, Salerno, onde ele é suspeito de se valer de estreitas relações com o banco do Vaticano para lavagem de dinheiro. Ele está sob prisão em um hospital de Salerno.

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Os advogados de Scarano dizem que ele não fez lavagem de dinheiro.

Scarano foi preso em Roma em 28 de junho, com um agente do serviço secreto italiano e um corretor de finanças, em uma investigação separada relacionada a um suposto complô para contrabandear 20 milhões de euros (26 milhões de dólares) da Suíça para a Itália.

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Questionado por magistrados em Roma, em julho, Scarano disse que algumas autoridades da Apsa, cujo objetivo é pagar os salários do Vaticano, custear seus departamentos e administrar os seus bens, permitiram que a instituição fosse usada de modo impróprio por pessoas de fora.

"Como Apsa, não somos autorizados a ter clientes de fora, mas, apesar disso, na realidade nós agíamos como um banco", afirmou Scarano aos juízes, de acordo com a transcrição do interrogatório obtida pela Reuters.

"Nós pegamos dinheiro, o usamos e pagamos juros a depositantes", afirmou.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse não ter nenhum comentário a fazer sobre o interrogatório de Scarano.

CONTA BANCÁRIA

Durante o interrogatório feito pelos magistrados, Scarano citou um banqueiro italiano que tinha uma conta na Apsa. Essa conta foi fechada quando uma investigação italiana apontou o envolvimento do banqueiro em market-rigging, acrescentou Scarano. Segundo o prelado, outro titular de conta no Apsa é um antigo benfeitor do Vaticano.

Fontes no Vaticano dizem que o papa quer que a Santa Sé coopere com os investigadores italianos no caso Scarano. Em declaração a repórteres no voo que o levou do Brasil de volta ao Vaticano, em julho, Francisco usou uma expressão argentina que significa que "ele não é nenhum santo".

Por sua posição na Apsa, Scarano tinha acesso imediato ao banco do Vaticano, formalmente conhecido como Instituto para as Obras de Religião, no qual tinha várias contas.

O banco está sob pressão internacional para garantir mais transparência e cumprir os padrões internacionais contra a lavagem de dinheiro.

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