Nacionalistas ameaçam força do trabalhismo na Escócia
Internacional|Do R7
Guillermo Ximenis. Edimburgo, 4 mai (EFE).- O plebiscito sobre a independência da Escócia, realizado em setembro do ano passado, sacudiu o panorama político de uma região onde o Partido Trabalhista está condenado a perder sua hegemonia histórica para os nacionalistas nas eleições gerais de 7 de maio. As pesquisas indicam que o Partido Nacionalista Escocês (SNP) conquistará mais de 50 das 59 cadeiras reservadas para a Escócia na Câmara dos Comuns e pode ser decisivo se os trabalhistas venceram as eleições sem uma maioria suficiente para governar sozinho. "Convencemos 45% dos escoceses para votar 'sim' para a independência e essa gente apoiará agora o SNP nas eleições", disse à Agência Efe Joanna Cherry, candidata nacionalista em Edimburgo. "Além disso, há muitas pessoas que votaram contra a independência mas querem que a Escócia tenha uma voz potente em Westminster (parlamento britânico), e eles também votarão em nós", argumentou Cherry. O plebiscito mobilizou 85% dos eleitores e gerou um intenso debate político na Escócia durante quase dois anos, tendência que os especialistas acreditam que se manterá nas eleições de 7 de maio. A participação popular na região, inclusive, deverá ser maior do que em relação ao conjunto do Reino Unido. O avanço do SNP nos últimos meses é refletido nos números de filiados: desde o plebiscito, passou de 25 mil para mais de 104 mil, e agora a legenda é a terceira maior no Reino Unido, embora a Escócia represente apenas 8,3% da população do país. Os trabalhistas, por sua parte, apoiaram-se durante décadas nas cadeiras escocesas para formar maioria em Westminster. Desta vez, no entanto, nenhum dos seus candidatos na Escócia tem assegurado uma vaga na próxima legislatura. O SNP descartou uma coalizão formal com os trabalhistas após as eleições, em parte para não cometer os mesmos erros que os liberais-democratas, que segundo as pesquisas contam com pouco apoio, após cinco anos compartilhando governo com os conservadores. Contudo, os nacionalistas não ocultam seus desejos de condicionar um apoio a um eventual governo trabalhista a acordos pontuais, apesar de o partido liderado por Ed Miliband insistir que seu único objetivo nestas eleições é obter a maioria absoluta. "Quantos mais deputados nacionalistas existirem, mais teremos que voltar a abordar a questão constitucional sobre a independência, e acho que o que a Escócia necessita é virar a página. Gastamos dois anos para debater essa questão, perguntamos ao povo e ele disse claramente que não quer se separar", afirmou por sua parte Ricky Henderson, candidato trabalhista em Edimburgo. As pesquisas são tão favoráveis ao SNP que nem sequer Jim Murphy, líder do Partido Trabalhista na Escócia e candidato na circunscrição de East Renfrewshire, tem garantido seu assento em Londres. Paradoxalmente, Murphy poderia ser salvo pelos eleitores conservadores, que em 2010 somaram 30% dos votos em seu distrito e que nesta ocasião poderiam estar dispostos a optar pelos trabalhistas para evitar dar um poder ainda maior do independentismo, segundo admitiu o ex-vice-presidente do Partido Conservador e analista político, Michael Ashcroft. Nesta campanha eleitoral, o Partido Trabalhista se apresenta na Escócia como a opção útil para evitar que o primeiro-ministro, o conservador David Cameron, seja reeleito, enquanto os nacionalistas tentam convencer seus eleitores de que seu peso político em Londres permitirá proteger os interesses de Edimburgo. Além da causa do independentismo, a mensagem do SNP se apoia na justiça social e na redistribuição da riqueza, ao defender medidas como um imposto de 50% sobre a renda dos mais ricos. "Ao ser observado o programa eleitoral que o SNP apresentou, suas propostas são uma cópia do que os trabalhistas estão há anos pedindo", disse à Efe um dos ativistas que fazem campanha porta a porta para o Partido Trabalhista na Escócia. "Aqueles que votaram 'sim' no plebiscito e, portanto, votarão no SNP nas eleições gerais, foram em sua maioria votantes trabalhistas, entre eles desempregados, trabalhadores com salários baixos e pessoas que recebem ajuda do governo", disse por sua parte o pesquisador da Universidade de Aberdeen, Malcom Harvey. "Em cidades como Glasgow e Dundee, historicamente trabalhistas, os eleitores veem que o SNP apresenta medidas similares às do partido de Ed Miliband, mas em nível exclusivamente escocês", acrescentou Harvey. EFE gx/dk/rsd (vídeo)








