Internacional Navio de ONG segue a Lampedusa, apesar do veto de Salvini

Navio de ONG segue a Lampedusa, apesar do veto de Salvini

Embarcação italiana está com 41 imigrantes resgatados no Mar Mediterrâneo na última quinta-feira e anunciou que entrará no mar da Itália

Navio com imigrantes segue para Lampedusa

Navio com 41 imigrantes seguirá para Itália

Navio com 41 imigrantes seguirá para Itália

EPA/FABIAN HEINZ/EFE - 5.7.2019

O navio Alex, da ONG italiana Mediterranea, que está com 41 imigrantes a bordo resgatados no mar Mediterrâneo na última quinta-feira (4), entrou neste sábado (6) no mar territorial da Itália sem permissão para chegar à ilha de Lampedusa, apesar do veto do ministro do Interior do país, Matteo Salvini.

A organização denunciou que a bordo "a situação higiênico-sanitária é intolerável", dada a falta de instalações para comportar os 41 imigrantes, além da tripulação, e por isso está se dirigindo a Lampedusa, ilha próxima ao local onde se encontra.

A embarcação humanitária foi recebida por vários navios militares italianos, que a escoltam em sua rota para Lampedusa, como tinha informado instantes antes o próprio Salvini.

"O navio dos centros sociais (coletivos de esquerda), que neste momento já teria chegado a Malta, que oferecia um porto seguro, infringe a lei, ignora proibições e entra em águas italianas. As Forças da Ordem estão preparadas para intervir", declarou o ministro.

A Mediterranea salvou 54 imigrantes na quinta-feira em águas internacionais ao norte da Líbia e, após a evacuação de 13 pessoas entre mulheres grávidas e crianças, os demais permaneceram amontoados sob o sol no convés da embarcação.

"Diante da intolerável situação higiênico-sanitária a bordo, Alex declarou o 'estado de necessidade' e está se dirigindo para o porto de Lampedusa, o único porto possível e seguro de desembarque", anunciou a ONG no Twitter.

O armador do navio, Alessandro Metz, explicou que o "estado de necessidade obriga a fazer escolhas que não são fáceis e pelas quais assumimos a responsabilidade", em alusão aos possíveis riscos legais que poderia acarretar entrar sem permissão em águas italianas.

Itália e Malta tinham chegado a um acordo para que o veleiro da Mediterranea atracasse no porto da Valeta. No entanto, a ONG rejeitou esta opção, pois teria que navegar mais de 140 quilômetros para tanto, o que representaria um risco dado o tamanho do veleiro, de cerca de 20 metros de comprimento, e pela sobrecarga por conta da presença dos imigrantes.

A Mediterranea segue assim a ação da capitã alemã Carola Rackete, que no dia 29 de junho atracou em Lampedusa sem permissão depois de passar 17 dias no mar com 40 imigrantes a bordo do navio Sea Watch 3 esperando a indicação de um porto, e por isso foi detida e depois liberada pela justiça.