Logo R7.com
RecordPlus

Noelia Castillo: dor, traumas e 20 meses de batalha na Justiça até conquistar direito de morrer

Jovem espanhola solicitou procedimento em 2024 devido à alegação de depressão e sofrimento físico contínuo

Internacional|Pau Mosquera, da CNN Internacional

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Noelia Castillo, jovem espanhola, lutou por 20 meses para conseguir a eutanásia, solicitando o procedimento devido ao intenso sofrimento físico e emocional.
  • Seu pedido foi aprovado após a avaliação de sua condição clínica irrecuperável, mas enfrentou oposição de seu pai, que iniciou uma batalha judicial.
  • A eutanásia foi realizada no hospital de Sant Pere de Ribes, onde Castillo se despediu da família, pedindo para morrer sozinha.
  • O caso gerou um intenso debate sobre o direito à eutanásia na Espanha e levantou questões sobre a capacidade de decisão em situações de sofrimento extremo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Em 2022, Noelia tentou suicídio; ela sobreviveu, mas ficou paraplégica Reprodução/Facebook/Noelia Castillo

A história de Noelia Castillo foi marcada pela dor — tanto física quanto emocional. Esse sofrimento avassalador levou a jovem espanhola a solicitar a eutanásia em 2024. Nesta quinta-feira (26), aos 25 anos, o pedido foi atendido e sua vida difícil chegou ao fim.

“Quero ir embora em paz e parar de sofrer, ponto”, disse Castillo dias antes de morrer, em entrevista ao canal espanhol Antena 3.


O caso gerou intenso debate na Espanha, especialmente após a exibição da entrevista — tanto entre aqueles que apoiaram sua decisão quanto entre os que enviaram mensagens nas redes sociais pedindo que ela não optasse pela eutanásia.

LEIA MAIS

Uma vida de sofrimento

Na entrevista, Castillo explicou que sua decisão estava ligada a uma vida familiar conturbada após a separação dos pais, quando ela tinha 13 anos. Ela passou por um centro de acolhimento supervisionado e foi diagnosticada com Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Transtorno de Personalidade Borderline.


Ela também relatou três episódios de abuso sexual: um supostamente cometido por um ex-companheiro, outro em uma boate, onde disse ter sido estuprada por dois homens, e um terceiro em um bar, envolvendo três jovens. Segundo ela, nenhum dos casos foi denunciado.

Dias após o segundo episódio, em outubro de 2022, ela tentou tirar a própria vida. Sobreviveu, mas ficou paraplégica e passou a depender de cadeira de rodas.


Esse foi o ponto de virada que a levou a considerar a eutanásia.

“Dormir é muito difícil para mim e, além disso, sinto dores nas costas e nas pernas”, disse Castillo. Ela também destacou que o sofrimento não era apenas físico. Antes de pedir a eutanásia, “meu mundo era muito sombrio… eu não tinha metas, objetivos, nada”, afirmou.


A eutanásia foi realizada no hospital de Sant Pere de Ribes, onde ela vivia.

Uma longa batalha judicial

O suicídio assistido é legal na Espanha desde junho de 2021. Para Castillo, solicitar o procedimento foi apenas o início de um caminho complexo — principalmente porque sua família se opôs.

O pedido havia sido aprovado em 18 de julho de 2024 pela Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha, que concluiu que ela cumpria todos os requisitos legais, por apresentar uma “condição clínica irrecuperável”, com “dependência severa, dor e sofrimento crônico incapacitante”.

No entanto, em agosto do mesmo ano, seu pai — assessorado pelo grupo religioso ultraconservador Christian Lawyers — iniciou uma batalha judicial para impedir o processo, alegando que ela não tinha capacidade para tomar essa decisão.

“Ele não respeitou minha decisão e nunca vai respeitar”, disse Castillo sobre o pai.

A partir daí, ele deu início a um longo processo judicial que atrasou a eutanásia por 20 meses, passando por cinco instâncias: um tribunal de Barcelona, o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, o Supremo Tribunal, o Tribunal Constitucional e o Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

Nenhuma dessas instâncias se opôs à decisão da jovem. Todas concluíram que ela cumpria os requisitos e tinha capacidade para decidir.

“Entendo que ele é pai e não quer perder uma filha”, refletiu Castillo na entrevista. Ainda assim, disse sentir-se confusa por não ter uma relação próxima com ele.

“Ele me ignora. Então, por que quer que eu continue viva? Para me manter em um hospital?”, questionou.

A batalha enfrentada por Castillo acabou permitindo que sua decisão fosse concretizada.

“Eu finalmente consegui, e agora talvez eu possa descansar”, disse à jornalista da Antena 3. “Não aguento mais essa família, não aguento mais a dor, não aguento mais tudo o que me atormenta na minha cabeça.”

Castillo se despediu de toda a família e pediu que, em seus momentos finais, fosse deixada sozinha.

“Não quero ninguém dentro” do quarto, afirmou. “Não quero que me vejam fechar os olhos.”

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.