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'Nós sabíamos', diz chefe da Otan sobre o início da guerra entre Rússia e Ucrânia

Inúmeros alertas sobre uma ofensiva russa contra o território ucraniano se concretizaram no dia 24 de fevereiro do ano passado

Internacional|Do R7

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Secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg
Secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg Johanna Geron/Reuters - 10.1.2023

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, lembrou que, na noite de 24 de fevereiro de 2022, tinha certeza de que os meses de alertas sobre a Ucrânia logo se transformariam em uma verdadeira calamidade.

Inúmeros alertas sobre a iminência de uma ofensiva russa contra o território ucraniano se concretizaram naquela noite, com o início da invasão.

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"Fui para a cama. Mas foi uma noite muito curta porque sabia que, em algum momento, em algumas horas, alguém iria me acordar, e foi exatamente isso que aconteceu", lembrou Stoltenberg em entrevista à AFP.

"Por volta das 4 horas, meu chefe de Estado-Maior me ligou e me disse brevemente que eles haviam começado, ou seja, que a invasão havia começado. Não foi uma surpresa, porque nós sabíamos", contou.

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Para Stoltenberg, "é possível ficar chocado com a brutalidade da guerra. Mas não tem como ficar surpreso, porque isso era realmente algo que estava previsto meses antes da invasão".

Agora, um ano após o início das hostilidades, Stoltenberg alertou que a Otan deve estar pronta para um longo período de tensões perigosas com a Rússia.

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"O presidente [Vladimir] Putin quer uma Europa diferente, quer uma Europa onde possa controlar os vizinhos, em que ele decida o que os países podem fazer", afirmou o líder da Aliança Atlântica, uma semana antes do aniversário de 1 ano do início do conflito.

Por isso, acrescentou, "precisamos estar preparados para um longo caminho. Isso pode durar muitos, muitos anos".

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Stoltenberg evitou, no entanto, fazer uma previsão de como esse confronto cara a cara com a Rússia poderá evoluir.

A Otan "sempre buscará oportunidades para voltar a uma situação em que haja espaço para um relacionamento melhor, mas, com o atual comportamento do governo russo... Não tem como", disse.

Vitória russa, uma 'tragédia'

Os membros da Otan se recusaram a enviar suas próprias forças para a Ucrânia para evitar que o conflito se transforme em uma guerra nuclear entre Rússia e Ocidente.

Ainda assim, desde o início das hostilidades, dezenas de milhares de soldados da Aliança foram enviados para o flanco oriental da Europa e vários de seus membros aumentaram consideravelmente os gastos com defesa.

Simultaneamente, os membros da Otan enviaram armas e equipamentos de bilhões de dólares para a Ucrânia.

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Para muitos observadores, este conflito ofereceu à Aliança a oportunidade de um entusiasmo renovado após o desastre que foi a retirada das tropas mobilizadas no Afeganistão durante anos.

Para Soltenberg, a invasão russa da Ucrânia "não mudou muito a Otan, porque temos que lembrar que a guerra não começou em fevereiro de 2022. A guerra começou em 2014, quando a Rússia anexou ilegalmente [a península da] Crimeia".

Para ele, o conflito deixou clara "a relevância da Otan".

"O que vimos desde a invasão do ano passado é o valor da união da América do Norte e da Europa, de tudo o que fizemos nos últimos anos para investir mais em defesa e aumentar a preparação", disse ele.

Stoltenberg rejeitou as acusações de que a Otan poderia ter feito mais para impedir uma invasão russa, armando a Ucrânia mais rapidamente desde a anexação da Crimeia, ou aproximando-a do escudo protetor da aliança transatlântica.

Na opinião do ex-primeiro-ministro norueguês, o presidente Putin é o único responsável pelo conflito.

"Podemos analisar, podemos discutir, todos podemos considerar diferentes decisões, mas isso não elimina, de forma alguma, a responsabilidade que o presidente Putin tem nesta guerra", afirmou.

Após um ano de combates em que ambos os lados causaram dezenas de milhares de mortes, a Otan adverte sobre a preparação de uma nova ofensiva russa.

Nesse contexto, garantiu que os membros da aliança de 30 nações continuam comprometidos, "como sempre", em garantir que a Ucrânia prevaleça.

Uma vitória russa na Ucrânia "será uma tragédia para os ucranianos. E também será perigoso para nós, porque a mensagem para os líderes autoritários é que, quando eles usam a força militar, podem atingir seus objetivos", disse ele.

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