Novo protesto de estudantes da Venezuela acaba em detenções
Internacional|Do R7
Caracas, 14 mai (EFE).- Centenas de estudantes venezuelanos marcharam nesta quarta-feira pelo leste de Caracas para exigir a libertação dos detidos nos protestos contra o governo e a manifestação acabou em enfrentamentos com a polícia e mais detenções. Os jovens, convocados pelo movimento estudantil que começou os protestos há três meses, pretendiam chegar à sede da procuradoria, no lado oeste da cidade, mas, mais uma vez, o governo impediu a manifestação nessa região de Caracas. O fato fez com que o grupo protestasse em frente à sede da ONU, no leste. Ali estava, até a semana passada, um dos quatro acampamentos instalados em diversos setores da capital para protestar contra o governo e que foram desalojados na madrugada pela polícia que deteve quase 250 ocupantes. Uma vez finalizada a manifestação que transcorreu de forma pacífica, um grupo de pessoas se separou para armar barricadas com sacolas de lixo e fechar a passagem do trânsito ao longo em sete quarteirões, além de lançar pedras e fogos contra à sede do Ministério do Turismo. Soldados da Guarda Nacional (GNB) usaram gás lacrimogêneo contra o grupo em uma região com grande circulação de pessoas, e detiveram dezenas de manifestantes. Antes da dissolução da manifestação, o líder estudantil Juan Requesens informou aos jornalistas que o objetivo da marcha era "exigir a libertação dos presos" nos últimos dias. Requesens afirmou que o governo venezuelano "está há dias, semanas, buscando o confronto entre os estudantes", mas que eles, segundo disse, não cairão nessa "agenda". "O governo procura reprimir com 'amedrontamento' como na segunda-feira, e seguir detendo estudantes. Não cairemos no jogo do governo e as mobilizações vão continuar", declarou em alusão a outra passeata convocada há dois dias que pretendia chegar à Nunciatura e que também acabou com enfrentamentos e detenções. O dirigente estudantil da Universidade Central da Venezuela (UCV) Javier González afirmou aos jornalistas que esperavam em frente à sede da ONU em Caracas a chegada de um procurador do Ministério Público que receberia um comunicado do movimento estudantil venezuelano. "Estamos exigindo à Procuradoria Geral o fim da perseguição contra a diligência estudantil. Vimos que nos últimos dias invadiram casas de dirigentes estudantis e querem criminalizar o protesto. Certamente querem fazer Justiça com cada um dos atingidos", disse González. Ele garantiu que as mobilizações de estudantes nas ruas vão continuar, porque não vão "deixar que o governo saia com as suas (manifestações) e tente criminalizar o protesto porque é pacífico". A Venezuela vive desde 12 de fevereiro protestos antigovernamentais liderados pela oposição e estudantes, que, em alguns casos, derivaram em incidentes violentos. Até o momento, as manifestações já deixaram mais de 40 mortos e centenas de detidos. EFE rp/cdr-rsd (fotos) (vídeo)









