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Irã enfrenta um momento decisivo; poderia um regime esgotado conter uma nova onda de protestos?

Reza Pahlavi, filho exilado de monarca deposto, ressurge como representante de oposição há muito insatisfeita

Internacional|CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A desilusão política no Irã e a estagnação econômica têm gerado ondas repetidas de protestos.
  • Reza Pahlavi, filho do monarca deposto, tem ganhado apoio como representante da oposição.
  • Protestos recentes refletem não apenas descontentamento econômico, mas também uma demanda por mudança política.
  • As reações do governo e a influência externa, especialmente dos EUA, podem alterar o curso dos eventos no país.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Líder supremo no poder há 35 anos traça linha rígida entre "protestantes legítimos" e “mercenários” via REUTERS

Protesto. Repressão. Repetir. Tornou-se um ciclo já muito familiar para os iranianos.

A desilusão política com um sistema que se mostrou incapaz ou não disposto a realizar reformas, aliado à estagnação econômica agravada pela tríade de má gestão crônica, corrupção profunda e sanções paralisantes, tem impulsionado ondas repetidas de protestos nacionais nos últimos anos.


Essas revoltas costumam durar vários dias e, em momentos como os protestos de 2022 desencadeados pela morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia religiosa, trouxeram mudanças profundas na sociedade. Mas o padrão é familiar: as pessoas vão às ruas, segue-se uma repressão violenta, e os manifestantes acabam sendo empurrados de volta para suas casas, aguardando o próximo confronto.

Nesta sexta-feira (9), o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, de 86 anos, que está no poder há 35 anos, abordou a mais recente onda de agitação, reconhecendo as queixas econômicas no cerne da indignação popular. Mas rapidamente voltou aos velhos métodos, traçando uma linha rígida entre o que chama de protesto legítimo e “mercenários” que promovem tumultos, e alertou para uma resposta severa.


No entanto, o velho manual do regime pode não ser mais suficiente para conter essa nova onda. Os tempos mudaram.

Por um lado, estes são os primeiros protestos desde a guerra de 12 dias no verão entre Irã e Israel, que acabou envolvendo os Estados Unidos e resultou em sérios danos às instalações nucleares iranianas. A guerra reduziu a capacidade de dissuasão do Irã e expôs a fraqueza do regime. Após o conflito, muitos iranianos esperavam mudanças e que o governo aproveitasse o sentimento nacionalista para estabelecer um contrato social mais viável com a população. Mas isso não aconteceu, e tudo voltou ao normal, com a dissidência esmagada e um abismo cada vez maior entre governo e governados.


Então há a amplificação, nas redes sociais e nas ruas do Irã, de um líder oposicionista exilado na figura de Reza Pahlavi, filho do monarca deposto do Irã. Ele já esteve em cena antes, mas há um aumento perceptível nos gritos de apoio a ele nas ruas, além de um esforço coordenado por figuras como a ativista americana de extrema-direita Laura Loomer para posicioná-lo como a escolha de Washington.

Na quinta-feira, dezenas de manifestantes foram às ruas de Teerã e de muitas outras cidades entoando: “Esta é a última batalha. Pahlavi vai voltar” e “Vida longa ao Xá”.


O príncipe herdeiro, como é conhecido por seus seguidores, pediu que os manifestantes fossem às ruas e os agradeceu na sexta por sua coragem, pedindo que mantenham o ímpeto.

Se Reza Pahlavi conseguirá manter influência ainda é incerto. O movimento ainda não atingiu a amplitude dos protestos de 2022 nem a escala do Movimento Verde de 2009, mas os gritos invocando a monarquia deposta e os apelos explícitos para desafiar o regime sinalizam claramente uma mudança além do protesto puramente econômico.

Outro fator determinante pode ser o atual ocupante da Casa Branca. O presidente Donald Trump alertou o Irã contra a repressão violenta, comentários que os líderes de Teerã descartaram como interferência nos assuntos internos. Mas, dados os acontecimentos recentes na Venezuela, há pouca dúvida de que os líderes iranianos estão preocupados com a reação de um presidente claramente desinteressado em seguir as regras tradicionais das relações internacionais, caso Teerã recorra aos métodos já conhecidos para esmagar a dissidência.

Para milhões de iranianos dentro e fora do país, este é mais um episódio tumultuado na história recente do país, com velhas figuras familiares relutantes em mudar. Mas, com novas dinâmicas geopolíticas em jogo, o desfecho pode ser imprevisível.

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