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O que explica a capacidade de resistência do Irã em guerra contra potências militares

Estratégia combina conflito prolongado, táticas assimétricas e pressão econômica para desgastar adversários

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos completa um mês, com o Irã resistindo a ataques severos.
  • O país adota uma estratégia de prolongar o conflito e usar táticas assimétricas para desgastar os adversários.
  • O Irã investe em ataques a rotas energéticas e na ameaça ao Estreito de Ormuz, impactando a economia global.
  • A experiência histórica de conflitos anteriores serve como base para manter a resistência até que o custo para os adversários se torne insustentável.

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Entenda como o Irã é capaz de resistir em guerra contra potências militares Reprodução/Record News

Neste sábado (28), a guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos completa um mês. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, forças americanas e israelenses atingiram bases militares, infraestrutura estratégica e eliminaram figuras centrais do regime, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país. Ainda assim, o governo iraniano permanece de pé e aposta em uma estratégia clara: não vencer pela força, mas sobreviver.

Essa lógica tem raízes profundas. Na visão iraniana, grandes conflitos são “guerras impostas”: ou seja, confrontos forçados por potências externas, e não escolhidos por Teerã. Essa perspectiva ajuda a explicar por que o país historicamente evita confrontos diretos, mas reage de forma intensa quando se sente ameaçado.


Ao longo das últimas décadas, o Irã tentou conter tensões por meio da diplomacia, inclusive em negociações sobre seu programa nuclear com potências ocidentais. Esse caminho, no entanto, perdeu força após a saída dos EUA do acordo nuclear em 2018 e a escalada de sanções e ações militares nos anos seguintes.

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Diante de um inimigo militarmente superior, o Irã escolhe prolongar o conflito até torná-lo insustentável para o adversário. Na prática, a estratégia é evitar confrontos diretos e investir em táticas assimétricas, como o uso massivo de drones, ataques indiretos e pressão sobre pontos sensíveis da economia global, como o Estreito de Ormuz.


Mesmo com perdas significativas, Teerã ainda mantém capacidade de lançar centenas de mísseis e milhares de drones. Parte dessa vantagem vem do baixo custo: enquanto um drone iraniano custa milhares de dólares, mísseis de defesa usados para interceptá-los podem custar milhões.

Além disso, o país se preparou para um conflito prolongado. Autoridades iranianas afirmam que planos de contingência foram desenvolvidos com antecedência, incluindo a descentralização de forças militares para manter operações mesmo após ataques ao comando central.


A lógica é clara: resistir tempo suficiente para desgastar a disposição política dos adversários, especialmente nos Estados Unidos, onde o apoio popular à guerra já dá sinais de queda.

Pressão global e risco de escalada

Outro pilar da estratégia iraniana é ampliar o custo da guerra para além do campo de batalha. O país tem atacado rotas energéticas e ameaçado o fluxo no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial. As ações já provocam impactos nos mercados globais e aumentam a pressão internacional por uma solução para o conflito.


Ao mesmo tempo, o Irã também tem atingido alvos em países vizinhos do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, numa tentativa de enfraquecer alianças regionais com os Estados Unidos.

As lideranças iranianas acreditam que os ataques dos EUA e de Israel vão além do programa nuclear e têm como meta enfraquecer, ou até derrubar, o regime. Diante desse cenário, a resposta tem sido elevar ao máximo o custo de qualquer tentativa de mudança de governo. Isso inclui desde ataques a infraestrutura até ações que afetam diretamente a economia global.

A experiência histórica reforça essa estratégia. Em conflitos como Vietnã, Iraque e Afeganistão, potências militares superiores não foram derrotadas diretamente, mas acabaram se retirando diante do desgaste prolongado. No caso do Irã, a aposta é semelhante: resistir mais tempo do que a disposição dos adversários para continuar lutando. Dessa forma, continuar de pé pode ser, por si só, uma forma de vitória.

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