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O que o ataque dos EUA à Venezuela significa para a maior reserva de petróleo do planeta

País possui cerca de 303 bilhões de barris de petróleo bruto — aproximadamente um quinto das reservas globais

Internacional|David Goldman, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O presidente venezuelano Nicolás Maduro foi capturado após um ataque dos EUA a Caracas.
  • A Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo, com cerca de 303 bilhões de barris, mas sua produção é de apenas 1 milhão de barris por dia.
  • O governo dos EUA declarou que administrará a Venezuela temporariamente, enquanto as sanções e a crise econômica afetam a indústria petrolífera do país.
  • A possibilidade de empresas americanas reentrarem no setor pode revolucionar o mercado global de petróleo, dado que as refinarias dos EUA são adaptadas para processar o petróleo pesado venezuelano.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Governo Trump acaba de atacar um país com mais petróleo do que o Iraque Gaby Oraa/Bloomberg/Getty Images via CNN Newsource

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado neste sábado (3) e retirado do país após um ataque de grande escala dos Estados Unidos a Caracas, deixando um cenário de incerteza na região — e para suas enormes reservas de petróleo.

A Venezuela possui mais petróleo do que o Iraque: detém cerca de 303 bilhões de barris do óleo bruto — aproximadamente um quinto das reservas globais, segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA). Esse volume de petróleo terá um papel central no futuro do país.

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Os contratos futuros não são negociados nos fins de semana, portanto, o impacto a curto prazo sobre o preço do petróleo é, em parte, uma incógnita ainda.

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Mesmo assim, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão administrar o governo venezuelano por enquanto.

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“Isso tem potencial para ser um evento histórico”, disse Phil Flynn, analista sênior de mercado da Price Futures Group. “O regime de Maduro e Hugo Chávez basicamente saqueou a indústria petrolífera venezuelana.”

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a ação americana na Venezuela foi encerrada após a captura de Maduro.

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A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, é integrante do regime socialista que assumiu o controle do país em 1999 e, caso ela assuma o poder, como reivindicou no próprio sábado (3), pouca coisa pode mudar no curto prazo.

Trump, de qualquer forma, disse à Fox News que não queria ninguém governando o país que continuasse seguindo os passos de Maduro.

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Controle do tesouro petrolífero da Venezuela

A Venezuela abriga a maior reserva comprovada de petróleo do planeta, mas seu potencial supera em muito sua produção real: o país produz apenas cerca de 1 milhão de barris por dia — aproximadamente 0,8% da produção global de petróleo bruto.

Isso representa menos da metade do que produzia antes de Maduro assumir o controle em 2013 e menos de um terço dos 3,5 milhões de barris que eram bombeados antes de o regime socialista subir ao poder.

Sanções internacionais ao governo venezuelano e uma profunda crise econômica contribuíram para o declínio da indústria petrolífera do país — mas a falta de investimentos e de manutenção também teve papel importante, segundo a EIA.

A infraestrutura energética da Venezuela está se deteriorando, e sua capacidade de produzir petróleo foi drasticamente reduzida ao longo dos anos.

O país não produz petróleo suficiente para causar um impacto significativo.

Os preços têm se mantido sob controle neste ano por causa do temor de excesso de oferta.

A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) aumentou a produção, mas a demanda diminuiu um pouco à medida que a economia global continua a enfrentar dificuldades com a inflação e a perda de poder de compra após o choque de preços do período pós-pandemia.

O petróleo dos EUA chegou a subir brevemente acima de US$ 60 por barril quando o governo Trump começou a apreender navios venezuelanos, mas, desde então, voltou a cair para US$ 57 por barril.

Assim, a reação do mercado — caso os investidores acreditem que o ataque seja uma má notícia para a oferta de petróleo — provavelmente será limitada.

O potencial petrolífero da Venezuela

O tipo de petróleo que a Venezuela possui — pesado e ácido — exige equipamentos especiais e um alto nível de conhecimento técnico para ser produzido.

Empresas internacionais têm capacidade para extraí-lo e refiná-lo, mas têm sido impedidas de fazer negócios no país.

Os Estados Unidos, maior produtor do mundo, possuem petróleo leve e doce, que é bom para a produção de gasolina, mas pouco útil para outros fins.

Petróleo pesado e ácido, como o da Venezuela, é crucial para certos produtos do processo de refino, incluindo diesel, asfalto e combustíveis para fábricas e outros equipamentos pesados.

O diesel está em oferta restrita no mundo — em grande parte devido às sanções sobre o petróleo venezuelano.

Destravar o petróleo venezuelano poderia ser particularmente benéfico para os Estados Unidos: a Venezuela é próxima e seu petróleo é relativamente barato — resultado de sua textura espessa e viscosa, que exige refino significativo.

A maioria das refinarias americanas foi construída para processar o petróleo pesado venezuelano e é significativamente mais eficiente quando utiliza petróleo da Venezuela em comparação com o petróleo americano, segundo Flynn.

“Se isso de fato continuar a avançar sem problemas — e até agora parece uma operação magistral — e empresas americanas forem autorizadas a voltar e reconstruir a indústria petrolífera venezuelana, pode mudar o jogo para o mercado global de petróleo”, disse Flynn.

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