O que o histórico de intervenções dos EUA na América Latina diz sobre a possibilidade de invasão à Venezuela
Maduro está disposto a dialogar para evitar confronto; especialista aponta imprevisibilidade de Trump e analisa ações passadas do governo americano
Internacional|Do R7
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Nicolás Maduro indicou o desejo de abrir um canal de diálogo com os Estados Unidos na tentativa de evitar um confronto direto na Venezuela. Segundo o professor de política internacional, Paulo Velasco, a atual presença militar americana no Caribe visa promover uma guerra psicológica, mas pode evoluir para alguma ação mais ampla ao considerar o histórico de Washington na região.
Em entrevista ao Conexão Record News desta sexta-feira (2), Velasco destaca o descontentamento de Donald Trump com o governo venezuelano, que remonta ao primeiro mandato do líder americano.

“Trump faz questão de taxar a Venezuela de narcoestado, faz questão de afirmar que o Maduro é um facilitador do narcotráfico. E, a partir daí, ele justifica uma série de pressões”, diz.
Com os ataques a embarcações, que já deixaram uma centena de mortos, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos realiza a maior mobilização militar da história na América do Sul, sob a justificativa de que traficantes terroristas estariam abrigados em território venezuelano.
“Eu acho que esse sinal dado pelo Maduro é a consciência de que talvez a única saída que ele tenha para se manter no poder seja buscar estabelecer alguma forma de diálogo e tentar criar alguma relação de confiança com Trump”, avalia Velasco.
Em entrevista transmitida na quinta-feira (1º), o presidente venezuelano disse estar disposto a conversar seriamente com o governo americano sobre acordos que envolvam petróleo, migração e combate ao narcotráfico.
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Sobre uma ofensiva direta diante de uma possível escalada de tensões, o professor destaca a imprevisibilidade do presidente americano. “Qualquer previsão acerca do governo dele é bastante difícil”, pondera, ao relembrar o histórico de intervenções dos Estados Unidos na política latino-americana.
“Nós já vimos no passado, na região latino-americana e em várias outras regiões do mundo, os Estados Unidos patrocinando a partir da força militar mudanças governamentais, transições de governo, mudanças de regime, forçadas. Vimos isso no Oriente Médio, vimos também na América Latina”, diz.
Ele menciona, como exemplo, a derrubada de Manuel Noriega no Panamá. Em 1989, Washington caracterizou o país como narcoestado e promoveu uma mudança de governo.
“Pode ser feito algo parecido com a Venezuela. Talvez não seja a primeira opção do Trump, até porque a Venezuela não é o Panamá, é muito maior. Mesmo para um país da envergadura militar dos Estados Unidos, é uma ação que traria desafios, mas é uma opção que não pode ser descartada”, completa.
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