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Obama se inspira em Clinton para uma paralisação muito diferente da de 1996

Internacional|Do R7

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Lucía Leal. Washington, 3 out (EFE).- A estratégia perante a paralisação do Governo seguida pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mostra claros ecos da qual seu antecessor, Bill Clinton, realizou no último fechamento da burocracia federal há 17 anos, mas a origem diferente de ambas as crises pressagia uma resolução diferente. Ao longo de seu mandato, Obama pegou Clinton como referência em várias ocasiões. Mas talvez seja na crise atual que mais confia em se parecer com o último democrata a presidir os EUA, que em 1995 e 1996 enfrentou a dois fechamentos seguidos da Administração e alcançou sair reforçado deles. A atual crise fiscal e a de então têm apenas duas semelhanças, segundo quem viveu ambas: que na Casa Branca há um presidente democrata e que os republicanos têm maioria na Câmara dos Representantes. No entanto, Obama parece ter imitado a estratégia que Clinton traçou na época: definir seus opositores como indivíduos cegados por uma obsessão partidária e dispostos a pôr em risco o futuro econômico do país por causa de seu próprio lucro político. Se Clinton acusou em 1995 os republicanos de "pôr a ideologia acima do bom senso", o atual líder atacou a oposição por empreender uma "cruzada ideológica" contra a reforma da saúde de 2010. "A única coisa que está impedindo (que se resolva esta situação) é que John Boehner não foi capaz de dizer 'não' a uma facção do partido republicano que está disposta a queimar tudo por uma obsessão com minha iniciativa de saúde", lamentou na quarta-feira Obama. Vários altos cargos do gabinete de Obama, entre eles o secretário do Tesouro, Jack Lew, e sua diretora de orçamento, Sylvia Burwell, foram atores centrais nas duas crises vividas por Clinton, que mantiveram a Administração paralisada uma semana em novembro de 1995 e três semanas entre dezembro daquele ano e janeiro de 1996. Talvez por sua influência, a Casa Branca está aproveitando todas as oportunidades que encontra para que Obama e seus assessores expliquem os efeitos do fechamento. Na crise de 1995, Clinton enviava quase que diariamente à sala de imprensa a seu subdiretor de orçamento, John Koskinen, para expor detalhadamente as consequências do desacordo para os cidadãos. Na época, a disputa se baseava na demanda republicana de aprovar um orçamento que permitisse equilibrar o déficit em pouco tempo, o que se chocou com a recusa de Clinton a permitir cortes em prioridades democratas como a educação e meio ambiente. O Governo reabriu em janeiro de 1996 com um acordo para financiar a Administração com a condição de iniciar um processo para equilibrar o déficit federal nos dez anos seguintes. Na época, as pesquisas mostravam índices pobres de aprovação aos republicanos, com sucesso retratados pela Casa Branca como os culpados de uma crise que custou cerca de US$ 1,4 bilhão aos americanos. "Houve uma revolta (pública), e (os líderes republicanos) simplesmente não conseguiram controlar seus correligionários", lembrou Tom Davis, que então era congressista republicano, em entrevista à rede "CBS". A esse fator se uniu o temor do então líder da maioria republicana no Senado, Bob Dole, a quem a crise afundou suas aspirações presidenciais nas eleições gerais de 1996. Hoje, os líderes republicanos estão mais preocupados em perder seus assentos nas eleições legislativas do próximo ano, e sua principal reivindicação não tem a ver com o déficit, como então, mas com a reforma da saúde aprovada por Obama. Essa diferença torna difícil que a situação se resolva com um "grande acordo" como o que houve então, que permita financiar o Governo a longo prazo e no qual ambos os lados cedam, segundo o analista do jornal "The Washington Post" Chris Cilliza. "Atualmente, inclusive parece distante um acordo médio, que combine um pouco de reforma tributária e um pouco de reforma na seguridade social, unida à reabertura do Governo e a alta do teto da dívida", disse Cilliza. Obama pode encontrar consolo em que, apesar do último fechamento do Governo de 1995 ter acabado reforçando a popularidade de Clinton, também semeou a semente do escândalo que acabaria arrebatando-a. Foi no segundo dia do fechamento do Governo de dezembro de 1995 que começou sua relação sexual com Monica Lewinsky, algo que muitos atribuem ao fato de que, com o pessoal da Casa Branca reduzido, os estagiários eram praticamente os únicos presentes nos escritórios próximos ao Salão Oval. O atual presidente não tem que se preocupar com esse tipo de distração: desta vez não se permite estagiários na Casa Branca durante o fechamento do Governo. EFE llb/ma

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